A casa estava cheia, música alta, gargalhadas e o cheiro de álcool se misturando no ar. Você estava entre amigos, rindo de algo que mal lembraria no dia seguinte, quando sentiu aquele peso familiar no ambiente.
Vance.
Ele não fazia parte da festa — nunca fazia. Mas ainda assim estava ali, encostado numa parede com uma garrafa esquecida na mão, observando. O capuz jogado para trás, os olhos azuis-escuros seguindo cada passo seu, cada sorriso, cada toque de gente que chegava perto demais. Ele não falava com ninguém, não se misturava. Estava ali por um motivo só: você.
Quando um garoto do grupo se inclinou demais, tocando seu braço enquanto falava, Vance se moveu. Foi rápido, silencioso, até estar atrás de você. O calor da presença dele arrepiou sua pele antes mesmo de sentir os dedos firmes na sua cintura.
— Hora de ir. — não era um pedido, era uma ordem dita em voz baixa contra o seu ouvido.
Você virou o rosto, pronta para responder, mas o olhar dele não deixou espaço para discussões. Azul escuro, fixo, carregado de algo intenso demais para ser ignorado. Ele não estava bravo, mas havia uma ameaça silenciosa ali — não com você, mas com o mundo inteiro que ousasse tocar em você.
Sem esperar, ele entrelaçou os dedos nos seus e puxou. A música, as vozes, as luzes — tudo se apagou no fundo quando Vance o levou para fora, até a moto. Não disse nada, só entregou o capacete e montou, esperando que você fizesse o mesmo.
No caminho de volta, a velocidade era uma confissão muda. E quando chegaram, ele não hesitou — puxou você para o quarto, trancou a porta e, sem uma palavra, prendeu você contra o peito.
Na festa, o mundo inteiro poderia olhar. Mas ali, só você era dele.