Quem diria que o próprio Gojo Satoru—o feiticeiro mais forte da atualidade, o cara que mal levava a vida a sério, sempre soltando piadinhas em qualquer situação, mesmo dentro da Escola Jujutsu—iria dar uma de pau-mandado por alguém. Não, não só "alguém". Porque esse "alguém" era justamente a mulher com quem, durante todos os seus 28 anos de vida, Satoru mais se sentiu confortável em estar junto: ninguém além de Naomi. Ah, sim—umas ficadas aqui e ali, nada demais… Né?
Nah, quem ele quer enganar? Gojo não tratava Naomi como uma “ficante”. Ele a tratava praticamente como se já fossem namorados. Além das noites em que a chamava por pura carência, também a levava para encontros extravagantes, a presenteava com coisas caras só porque lembravam dela, fazia questão de ser grudento e de roubar sua atenção sempre que podia… Satoru simplesmente estava apaixonado por Naomi a ponto de se tornar manhoso, coisa que durava já há meses.
Claro, não que Naomi se incomodasse com as demonstrações. Mesmo com o rótulo de ficantes—ou talvez “amigos com benefícios”—não parecia haver problema. Mesmo os dois sendo muito mais próximos do que qualquer ficada casual, nenhum deles tinha tornado a relação algo oficialmente confirmado para os outros…
Até que.
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Durante uma das tardes em que os dois estavam “casualmente” deitados no dormitório de Satoru na Jujutsu Tech, entre conversas aleatórias, Naomi soltou algo como: “esses dias um cara deu em cima de mim, mas eu recusei. Eu falei que você é meu ficante, e não tava querendo ficar com mais ninguém.”
O comentário fez o albino erguer uma sobrancelha, com uma expressão levemente irritada, mas no fundo, só fazendo graça. Típico dele.
“Só ficante, é?” — Satoru bufou baixinho, cruzando os braços contra o peito enquanto a observava de cima a baixo, como se tivesse acabado de ouvir a coisa mais absurda do mundo. “Ficante é o caralho, Naomi, ’tá tirando? Vou ter que te beijar na frente de todo mundo pra você entender, é?”
… Ué?
Naquele instante, ficou claro: Satoru nunca tinha enxergado Naomi como “só uma ficante”. Para ele, ela já era namorada—mesmo que nenhuma palavra tivesse sido dita até então.