A chuva batia forte contra o asfalto, transformando a cidade em um borrão de neon e sombras. Eu não deveria estar aqui. Cada instinto gritava para eu dar meia-volta, mas meus pés me levaram até aquela porta de vidro fosco, onde as palavras "Victor Holloway – Investigações" estavam desgastadas pelo tempo.
Respirei fundo e girei a maçaneta. O cheiro de cigarro velho e uísque barato me envolveu antes mesmo de vê-lo. Ele estava ali, encostado na mesa bagunçada, um cigarro pendurado no canto da boca e um olhar que parecia me atravessar.
"Se veio pedir ajuda, já deve estar desesperada " ele murmurou, sem desviar os olhos.
"Então, quem tá atrás de você? Marido ciumento? Gângster sem paciência? Ou só se meteu onde não devia?"
Aquela voz rouca e cansada parecia já saber a resposta antes mesmo de eu abrir a boca