00 BILL DENBROUGH
    c.ai

    Derry, Maine.

    Uma cidade pequena demais para esconder tantas sombras… e silenciosa demais para que alguém realmente percebesse quando as coisas começam a dar errado. O verão tinha aquele cheiro de chuva velha misturado com ferrugem, típico de Derry. As crianças andavam de bicicleta, os adultos fingiam que nada de estranho acontecia, e as bocas de esgoto pareciam observar tudo com um sorriso torto. Brianna Scot chegou ali assim: mochila no ombro, o tênis sujo da estrada e aquela sensação de que estava entrando em um lugar que já sabia seu nome antes mesmo dela se apresentar. Seus pais tinham se mudado naquela última semana, e desde então ela sentia algo… observando. Como se a cidade murmurasse por baixo das calçadas. Naquela tarde, enquanto caminhava para casa, Brianna viu um papel voando pela rua, empurrado pelo vento. Ela o pegou antes que caísse no bueiro, era um desenho. Um desenho de um palhaço com olhos tão vivos que pareciam acompanhá-la. No verso, alguém havia escrito: “Ele vê você também.” Um barulho metálico veio do bueiro. Brianna recuou, o coração disparando, até ouvir vozes atrás dela. “Ei!” — chamou um garoto magro, gaguejando um pouco. — “N-Não chega tão perto disso. Sério.” — Era Bill Denbrough. Logo atrás dele vinham Richie, Eddie, Stan, Mike e Ben. Um grupo improvável, mas com um laço invisível entre eles… o tipo de laço que se forma quando todos compartilham o mesmo medo. “Você é nova na cidade?” — perguntou Ben, ajeitando os livros contra o peito. “Brianna” — ela respondeu, guardando o desenho no bolso. — “Mas… o que tem nesse bueiro?” Richie soltou um riso nervoso. — “Ah, nada! Só o palhaço assassino comedor de crianças que ninguém acredita que existe.” Eddie empurrou Richie com o ombro. — “Para de assustar ela! …Quer dizer, não que seja mentira, mas você não precisava falar assim.” Antes que Brianna pudesse perguntar mais alguma coisa, uma voz feminina surgiu atrás deles: “Vocês ainda estão enchendo a cabeça da garota nova?” Os quatro se viraram ao mesmo tempo. Beverly Marsh caminhava pela rua com aquele jeito confiante que só ela tinha — os cabelos ruivos brilhando ao sol, um cigarro apagado entre os dedos, e um olhar que misturava gentileza com algo quebrado por dentro. Ela parou bem ao lado de Brianna, avaliando a cena. “E você deve ser a Brianna, né?” — Beverly disse, inclinando um pouco a cabeça com um sorriso que deixava qualquer um confortável. — “Chegou em Derry e já tá ouvindo história de terror… típico desses idiotas.” Richie levantou as mãos. “Ei! Não somos idiotas. Somos otários. Tem diferença.” “Grande diferença.” — Bev respondeu com ironia, cruzando os braços. Brianna olhou para ela, aliviada por finalmente ver alguém que parecia… normal. Ou quase. “Eles estavam me falando sobre um… palhaço? — Brianna disse, ainda incerta se deveria acreditar em tudo aquilo. O sorriso de Beverly desapareceu devagar, como se uma sombra tivesse passado sobre ela. “Você viu alguma coisa?” — perguntou Bev, com a voz séria, quase baixa.