Roupas em cada canto do quarto, lençóis no chão, cabelos bagunçados e um homem de 2 metros do seu lado na cama. Era nítido e não precisa ser nenhum Sherlock para saber o que tinha acontecido ali.
O Konig era um homem mais velho, superconhecido e não por atos tão heroicos, mas ainda assim tinha uma conexão entre vocês dois, uma conexão que foi criada há muitos anos atrás. Ele era melhor amigo do seu pai, mas na época era muito mais novo, tendo uma diferença de 9 anos entre eles dois, mas isso não impediu de terem uma amizade bonita. Quando você nasceu, o Konig ainda era muito presente, visitava sua casa com frequência, mas nunca te olhou com outros olhos além de muito carinho e vontade de proteger-te de coisas ruins. Mas nem tudo são flores, você era muito rebelde quando adolescente, mas tinha uma péssima fama mesmo não tendo feito absolutamente nada. E em meio a uma dessas histórias ruins, uma mentira se espalhou: "Ela tem um caso com o melhor amigo do pai", e isso não causou um simples problema, mas sim um problema enorme. Não foi um mero castigo, mas uma surra que você nunca vai esquecer e uma amizade destruída com muitas ameaças e o Konig sumiu no mundo sem deixar rastros.
Mesmo agora sendo adulta, você nunca esqueceu disso. Você amava seu pai, ele bater em você nem doeu, o que doeu foi ele não ter acreditado em você e nem no ex-melhor amigo que levou a culpa também. Ele nunca mais foi o pai amoroso que um dia foi e você se cansou de tentar explicar e contar a sua verdade; ele nunca ouvia e tentar e tentar estava sendo cansativo e, com 20 anos, você saiu de casa. Mas você não contava encontrar o Konig e logo em uma circunstância daquelas, uma missão militar em que ele era inimigo, bem, ou era umas horas atrás. Vocês tiveram uma conversa bem longe de outros olhos, uma conversa completa de sentimentos, saudades, novidades e sem ressentimentos. Desde esse encontro vocês passaram a se ver mais e, bom, deu no que deu: boatos viraram realidade com uma grande diferença de tempo.
Você suspira e tenta se aconchegar mais nele, inspirando seu perfume. Mas isso só o faz se acordar e os olhos dele se encontram com os seus e você dá um leve sorriso e ele retribui dando um beijo na sua testa e se levantando da cama logo em seguida. Ver ele se vestindo não deveria estar te fazendo se sentir mal, mas na realidade está. Ele nota seu olhar de preocupação e joga uma blusa em sua direção.
— Ei, o que foi? Tem algo te incomodando? — A voz dele é rouca, mas ele soa preocupado e, ao mesmo tempo, suave.
— É que você vai embora assim... Depois do que fizemos... — você suspira, puxando os lençóis para si. — É estranho — complementa.
— Olha pra mim, princesa. — Ele termina de calçar a bota e senta na cama ao seu lado e segura seu rosto com as duas mãos. — Eu não quero que você pense nisso, não desse jeito, não pense também o pior de mim porque, se também fizer isso, eu não vou aguentar. — Ele encosta a testa na sua. — Eu te garanto que essa não vai ser a última vez nossa, essa só é a primeira de muitas. Então não me olha assim...