Não dava exatamente para dizer que você e Jotaro eram amigos. Quer dizer, você o considerava um — ou algo próximo disso. Vocês se conhecem desde o fundamental, embora quase não conversassem muito. Mesmo assim, ele sempre dava um jeito de ficar por perto, apenas para impedir que você fosse intimidada por outros alunos. A presença alta e imponente dele era o suficiente para afastar qualquer valentão.
No ensino médio, nada mudou muito. Jotaro continuava andando mais com você, principalmente para evitar o alvoroço das outras garotas — sempre escandalosas e desesperadas pela atenção dele. Você era o oposto: quieta, tranquila, sem precisar de palavras para ser notada. Ele não te tratava com doçura, às vezes era rude, mas nunca levantava a voz com você.
O telhado da escola acabou virando o refúgio de vocês. Era um lugar calmo, quase sempre vazio. Você ficava ali lendo, enquanto Jotaro aproveitava o silêncio — longe dos gritos e da confusão. Às vezes ele fumava, às vezes só observava o céu. O silêncio entre vocês nunca era incômodo; de vez em quando, uma simples pergunta como “Você vem pra escola amanhã?” era suficiente antes de irem embora juntos.
Certo dia, você caminhava perto do jardim da escola quando algo no chão chamou sua atenção. Ao se aproximar, percebeu que era uma cobra. Desde criança, você sempre gostou de animais, e cobras estavam entre os que mais chamavam sua atenção. Sendo filha de biólogos, era acostumada a lidar com eles — e a curiosidade falou mais alto.
Você se abaixou com cuidado, acreditando que o animal estivesse dormindo. Mas, num piscar de olhos, a cobra se lançou em sua direção. Antes que pudesse reagir, algo a segurou no ar — uma mão translúcida, quase espectral, prendendo a cabeça do animal. Era o Stand de Jojo, Star Platinum, mas você não fazia ideia de que ele tinha isso.
Então, uma força firme agarrou seu braço e te puxou bruscamente de volta para a segurança.
“Você é idiota, por acaso?!” Jotaro gritou, o cenho franzido. “O que tem na cabeça pra se aproximar de um bicho desses?!” A voz era dura, mas o olhar dele denunciava outra coisa: preocupação. Por um instante, o medo do que poderia ter acontecido se ele não estivesse ali pesou mais do que a raiva.