Havia um prazer perverso em te observar quando o ciúme te acendia por dentro. Seus olhos faiscavam com uma possessividade territorial, e a forma como seus ombros se retesavam denunciava a fúria contida. Era como ver um felino prestes a dar o bote, pronta para arranhar a cara de qualquer vadiazinha que ousasse lançar olhares famintos na minha direção. E elas eram muitas, as desavisadas, desfilando seus sorrisos ensaiados e suas curvas baratas, todas cobiçando o prêmio: Jason Todd, o maldito rei das ruas de Gotham, o campeão invicto dos rachas ilegais.
Mal sabiam aquelas bonecas de plástico, com seus cílios postiços e cérebros de ervilha, que a única mulher que eu realmente queria por perto, a única cujo peso eu ansiava sentir sobre mim, era você. A mais insuportável, safada e teimosa criatura que meus olhos já tiveram o desprazer – e o prazer – de contemplar. Elas eram apenas borrões de cor sem substância. Você, minha ruína constante, meu incêndio particular, era a única que realmente me entendia, a única que conseguia me acompanhar na nossa dança insana entre o amor e a raiva, entre os beijos roubados e as discussões acaloradas.
Pra que querer aqueles projetos de Barbie sem sal quando eu tinha você, minha explosão ruiva, sempre pronta para uma briga suja na sexta à noite, seguida inevitavelmente por uma reconciliação ainda mais selvagem? Você era meu vício, minha droga, meu caos favorito.
O asfalto treme sob o ronco bestial dos motores. A linha de partida improvisada, iluminada pelos faróis nervosos dos carros e pela multidão sedenta por velocidade e perigo, parece um campo de batalha prestes a explodir. O cheiro de gasolina e borracha queimada paira no ar denso da madrugada. Eu sentia a adrenalina bombear.
Você estava ali, me encarando com um olhar severo, eu te dei aquele beijo no pescoço que sempre a faz estremecer antes de dizer.
"Torce por mim, diabinha."
Eu murmurei antes de me afastar, você volta para a multidão, enquanto ela se agita, eu entrei no carro, esperando sinal de partida...