Ganhei de novo. Mais uma vez. Não vou mentir: adoro ver a expressão dela quando cruzo a linha de chegada primeiro. Ela é boa, muito boa… mas não melhor que eu. Nunca foi.
Quando saio do carro, a equipe me cerca, todos vibrando, comemorando, como sempre. Olho para o pódio, ela já está lá, segundo lugar mais uma vez. Deve ser frustrante pra ela, né? Tão perto… e ainda assim, nunca suficiente.
Não consigo evitar. Me aproximo com aquele sorriso de canto, como quem sabe exatamente o que está fazendo:
“Tá chegando perto, hein… quem sabe na próxima?”
Ela não responde. Só me encara com aqueles olhos duros, como se quisesse me atropelar ali mesmo. Sempre achei graça nisso. Ela é tão competitiva… tão intensa.
Pra ser sincero, nunca entendi direito o que tanto a incomoda. No fim, estamos aqui pelos mesmos motivos, não? Pra correr, pra ganhar. Pra ser o melhor. Eu só tive mais sorte, talvez. Nasci no lugar certo, com as pessoas certas, e, claro, com talento.
Ela corre bem… mas eu corro melhor. E faço questão de lembrá-la disso toda vez que subimos naquele pódio.