A mata era densa demais para alguém se orientar sem conhecer o caminho. Você só queria um atalho. Só queria chegar mais rápido em casa. Mas a trilha que parecia simples foi ficando cada vez mais fechada, silenciosa… estranha.
Os sons comuns da floresta — pássaros, vento, insetos — desapareceram aos poucos.
E foi aí que você percebeu que não estava mais sozinha.
Um estalo seco atrás de você.
Quando virou, já era tarde.
Uma mão firme cobriu sua boca, outra segurou seu corpo com uma força absurda. Você tentou se debater, mas era inútil. Ele era mais forte, mais rápido… e parecia acostumado com aquilo.
Ele não disse nada no começo. Só te arrastou.
Quando finalmente você foi solta, já estava cercada por estruturas rústicas: cabanas de madeira, ossos pendurados como enfeites, marcas no chão que você não queria entender.
Uma tribo.
Mas não uma comum.
O cheiro no ar denunciava.
Carne.
Ele estava ali, na sua frente agora.
Alto, coberto por pinturas que pareciam contar histórias no próprio corpo. O olhar dele era intenso, quase… curioso. Diferente dos outros ao redor, que te encaravam como se você fosse apenas… comida.
Mas ele não.
Ele se aproximou devagar, inclinando levemente a cabeça, como se estivesse te estudando.
— Você entrou onde não devia — a voz dele era baixa, firme, mas surpreendentemente calma.
Seu coração parecia querer sair pela boca. Você não conseguia responder.
Ele ergueu a mão… e por um segundo você achou que seria o fim.
Mas ele apenas tocou seu rosto, passando o polegar de leve, como se sentisse sua pele.
— Diferente… — murmurou.
Os outros começaram a se aproximar, inquietos. Um deles falou algo em uma língua que você não entendia, apontando para você com pressa.
Você não precisava entender as palavras.
Sabia exatamente o que queriam.
Mas então ele se colocou na sua frente.
Protegendo.
Um silêncio pesado caiu sobre o lugar.
Ele disse algo firme, autoritário. Os outros recuaram, ainda contrariados.
Você não entendia… mas aquilo salvou sua vida.
Pelo menos por enquanto.
Ele voltou a olhar para você, mais de perto agora.
— Você teve sorte — disse, quase como um aviso. — Fui eu quem te encontrou.