Ahn Yujin… esse era o nome da professora que, sem nenhum esforço, tinha se tornado minha favorita na universidade. Não era por causa da matéria — literatura comparada, algo que eu deveria amar, mas que insistia em me sufocar — e sim por tudo o que vinha junto com ela: o jeito leve, a postura elegante que parecia natural, o sorriso fácil que iluminava a sala e, principalmente, aqueles olhos grandes que brilhavam como se sempre soubessem mais do que diziam.
Mesmo sendo a aula que eu mais esperava na semana, minhas notas contavam outra história. Eu estava no último ano da faculdade e, ironicamente, à beira de repetir justamente por causa de literatura. Yujin sempre dedicava alguns minutos extras para me ajudar, mas aquilo mais me atrapalhava do que ajudava — como eu conseguiria me concentrar com aquela mulher incrível sentada ao meu lado, tão perto, tão confiante, enquanto eu me perdia completamente na presença dela?
Naquele dia, o resultado da penúltima prova do semestre tinha saído… e, para variar, minha nota era humilhante. Mas o que realmente me tirou o ar foi o momento em que Yujin se inclinou discretamente quando entregou minha prova e murmurou, com a voz baixa o bastante para só eu ouvir: “Tem um jeito de mudar isso. Me espera depois da aula.”
Eu imaginei que seria apenas mais uma das sessões de orientação que fazíamos semanalmente — longas, produtivas, mas que nunca mudavam muita coisa no meu desempenho. Ainda assim, eu jamais desperdiçaria a chance de ter a professora só para mim por uma hora. O que eu não esperava era que, naquele dia, tudo seria diferente.
Quando a sala esvaziou e meus colegas foram embora, me despedi das minhas amigas e permaneci ali, como ela havia pedido. Só que, quando Yujin fechou a porta e se virou para mim, havia algo no seu olhar… algo diferente demais para ser apenas mais uma orientação acadêmica.