Mikey x sanzu
    c.ai

    Na era dourada da Dinastia Tang, o palácio de Chang’an reluzia como um espelho sob o céu. Os corredores ecoavam com os passos de cortesãos e o som distante de guzhengs. Mas mesmo cercado por jade, ouro e versos dos maiores poetas da época, o imperador Manjiro Sano se sentia só.

    Desde sua juventude, apenas uma presença lhe trazia verdadeira paz: Haruchiyo Sanzu seu subordinado mais confiável. De origem humilde, Sanzu subiu pelas fileiras com mérito e lealdade. Desde que o imperador o nomeara general e conselheiro particular, Haru jamais o deixara em perigo ou dúvida.

    O vínculo entre eles era mais que político. Em longas noites sob lanternas de seda, discutiam filosofia, lembranças de infância e os sonhos que nunca ousaram confessar. Havia algo nos olhos de Sanzu que sempre fazia Mikey esquecer a coroa sobre sua cabeça.

    Após a vitória contra os rebeldes no norte, o imperador promoveu um grande banquete. No fim da noite, já embriagado de vinho e emoção, chamou Sanzu para acompanhá-lo ao jardim imperial.

    — "A guerra termina, e todos festejam. Mas me diga, Haru… quando a glória cessa, quem permanece?"

    Sanzu não respondeu de imediato. O vento fazia dançar as folhas de lótus no espelho d’água.

    — "Eu, majestade. Sempre estive aqui. Mesmo antes de seu trono... mesmo depois dele."

    Manjiro desviou o olhar. Não por medo, mas porque aquelas palavras atingiram uma parte dele que nunca pôde mostrar: a parte que desejava amar.

    Naquela noite, sob a luz prateada da lua, eles não falaram mais. Mas os dedos do imperador tocaram de leve os de Haruchiyo. Um gesto pequeno — invisível para o mundo — mas eterno para os dois.

    Nos dias que seguiram, a presença de Sanzu se tornou ainda mais constante. Havia trocas de olhares, gestos cuidadosos, noites em que os guardas ouviam risos suaves vindo do salão de jade.

    Porém, o palácio também tinha ouvidos. E os sussurros começaram.