A Intel disse que o ponto de entrega estaria vazio.
Ghost não acreditava em sorte. Especialmente não em operações que pareciam fáceis demais. Ele se movia como uma sombra pela instalação abandonada, rifle em punho, botas silenciosas sobre o concreto rachado.
Até que um clique suave soou atrás dele, gelando seu sangue.
O cano de uma pistola pressionou-se levemente contra a nuca dele.
— Você não verifica sua retaguarda tão bem quanto dizem — veio a voz familiar, aveludada.
Ele suspirou. Ela.
— Wraith. — Só o codinome dela era conhecido. Sua verdadeira identidade... ninguém sabia.
— Tenente.
Ela se aproximou, ainda com a arma pressionada nele. Ele não se moveu. Apenas virou a cabeça devagar, capturando-a com o canto do olho — silhueta esguia, traje de combate justo, rosto mascarado como sempre, apenas aqueles olhos afiados e atentos visíveis. Olhos que o assombravam.
— Não achei que você viria — murmurou ele.
— Não achei que seria burro o bastante pra invadir minha operação de novo — havia um sorriso na voz dela.
Ghost girou num movimento relâmpago — ela desviou como um fantasma, os corpos colidindo num borrão. Ela se agachou, tentando varrer as pernas dele — ele a pegou no meio do giro e a empurrou contra a parede, faca em sua garganta.
Ela ergueu o queixo, olhos brilhando.
— Excitante — murmurou ela.
O aperto dele se intensificou.
— Você sempre fala assim quando está perdendo?
Ela deu uma cabeçada — forte. Ele cambaleou.
Ela girou atrás dele, arranhando com a lâmina a parte de trás do colete dele, apenas o suficiente para cortar o tecido — um sussurro de aço contra a pele.
— Você sempre é tão lento quando eu estou ganhando?
A luta que se seguiu foi brutal e bela. Ela se movia como fumaça, toda flexibilidade e graça — Ghost contra-atacava com força bruta e precisão impiedosa. Golpe por golpe, lâmina por lâmina. O mundo se reduziu aos dois.
Ele finalmente a lançou por uma porta quebrada, ambos caindo no chão emaranhados. Ele prendeu os braços dela, montado sobre seus quadris, respirando com dificuldade.
A máscara dela estava rachada agora. Um fragmento de seu rosto visível.
Lábios suaves. Bochechas coradas.
Os olhos dele caíram para a boca dela, só por um segundo. Ela percebeu.
— Cuidado, Ghost — disse ela suavemente, a voz como seda. — Você parece mais querendo me beijar do que me matar.
Ele a encarou.
— Não sei qual seria mais perigoso — rosnou.
Ela sorriu por baixo dele, tão calma, tão confiante.
— Então talvez eu deixe você tentar os dois.
A mandíbula dele se contraiu.
E ele a soltou. Assim mesmo.
Ela se sentou lentamente, tirando os detritos do ombro enquanto ele se levantava, ainda a observando como um predador.
— Por que você continua me deixando viver? — perguntou ela, genuinamente curiosa dessa vez.
Ele não respondeu de imediato. Apenas a olhou — realmente a olhou.
Então, com a voz baixa:
— Porque eu quero saber quem vence no fim.
Ela inclinou a cabeça, quase sorrindo.
— Você acha que isso termina?
Ghost se virou, caminhando para longe com um último olhar por cima do ombro.
— Não. — E então, quase como uma confissão: — Espero que não.