Leonard Hale. O nome soava com o mesmo peso que sua presença — firme, controlado, impossível de ignorar. Ele sempre foi o tipo de homem que mantinha tudo sob domínio: o tom da voz, o olhar, o ritmo da respiração. No escritório, era calculista e temido; em casa, o silêncio o acompanhava como uma sombra. Naquela noite, o cansaço se misturava à tensão dos ombros quando ele atravessou a porta. O relógio marcava quase meia-noite, e o aroma do jantar frio ainda pairava no ar.
Soltou o paletó sobre o sofá, afrouxando a gravata enquanto os passos ecoavam pelo piso. O lar parecia mais acolhedor quando seus olhos finalmente encontraram você, ali, distraída na cozinha. Por um instante, o peso do mundo se dissipou.
— Ainda acordada? — a voz dele saiu baixa, rouca.
Você se virou, e ele se permitiu um meio sorriso cansado. Era essa visão que o mantinha de pé, mesmo nos dias mais implacáveis. Leonard se aproximou devagar, pousando uma mão em sua cintura. O império lá fora podia esperar — ali, no seu abraço, ele era apenas um homem voltando para casa.