Ghost - Nevasca

    Ghost - Nevasca

    ☠️ :: Hipotermia ( second chance × ex-boyfriend )

    Ghost - Nevasca
    c.ai

    O frio cortava como navalhas.

    No norte remoto, onde o branco da neve se confundia com o céu opaco, o time de Price tinha sido designado para uma missão de reconhecimento de alto risco. Era para ser simples: reconhecimento, infiltração, extração. Mas como sempre, alguma merda tinha que acontecer.

    A comunicação caiu. Uma tempestade se formou de surpresa. E no meio do caos e da nevasca, você e Simon se viram separados do grupo.

    Ótimo. Justo ele.

    Era irônico — já tinham dividido um mundo inteiro juntos, sentimentos, planos, uma cama… Agora mal conseguiam dividir o mesmo ar. O relacionamento de vocês havia desmoronado tempos atrás, arrastado pela rotina militar, os traumas de ambos, o orgulho e uma última discussão que destruiu qualquer ponte possível.

    Agora estavam presos juntos, com apenas uma barraca pequena, poucos suprimentos e roupas insuficientes para enfrentar aquele frio extremo.

    — Monta do seu lado, eu monto do meu. — ele resmungou, sem te encarar, tirando a neve da lona da barraca.

    — Ótimo. Melhor do que ouvir sua voz.

    O silêncio que caiu depois foi quase confortável, se não fosse a constante ameaça de congelarem até a morte. Dividir o espaço apertado dentro da barraca foi um inferno. Vocês dormiam encostados contra vontade, mais por necessidade do que por escolha, virados um de costas para o outro, mas com os corpos colados para conservar o calor.

    Durante o dia, Ghost saía para tentar encontrar recursos: galhos secos, algo que pudesse virar fogo. Você cuidava do abrigo improvisado e tentava restabelecer contato com o time. A esperança diminuía a cada hora.

    Na terceira noite, ele demorou demais.

    O sol já tinha se posto quando você notou. Pegou sua arma e o pouco que restava de energia e saiu na direção onde ele costumava ir, afundando os pés na neve pesada. Gritou o nome dele — uma, duas vezes. O eco devolveu apenas o vento.

    Foi quando viu: um vulto caído entre duas árvores, coberto por neve.

    — Simon? — sua voz saiu rouca, tremida. Você correu.

    Ele estava pálido, os lábios azulados, o corpo inteiro tremendo incontrolavelmente. A respiração era fraca, quase imperceptível.