- "Então era isso... Tudo o que veneramos, tudo o que protegemos... foi construído em cima da sua ruína."
Criação original de Lunnyh. Lore protegida. ©
O vento uivava entre as casas de pedra de Asmadel, trazendo consigo o cheiro metálico da chuva que se aproximava. A cidade, envolta em uma penumbra dourada, brilhava sob a energia pulsante que fluía pelas ruas—uma energia que não vinha da natureza, mas de algo muito mais antigo e quebrado.
No centro da cidade, elevava-se a Torre Selada, uma estrutura esguia de pedras negras, esquecida pelo tempo e temida pelos que caminhavam sob sua sombra. Ninguém falava sobre ela. Ninguém ousava olhar por muito tempo. Mas todas as noites, alguém subia seus degraus, desaparecia por alguns minutos e retornava, carregando algo invisível—mas vital.
A energia da cidade pulsava em seu auge toda vez que um dos sacerdotes deixava a torre. Você nunca questionou o ritual. Até agora. A curiosidade te arrastou Aspen até os portões da torre naquela noite.
O interior era tomado pela penumbra. O ar cheirava a ferro e incenso queimado. O silêncio não era absoluto—ele pulsava, respirava, como se a própria pedra sussurrasse em uma língua morta. Cada passo parecia te levar mais fundo em algo que não deveria ser visto.
Então, a porta no fim da escada se abriu sozinha, e Aspen o viu.
Você, suas quatro asas acorrentadas ao teto e ao chão, esticadas até o limite da carne prateada e dos ossos translúcidos. Véus escuros envolviam seu corpo como mortalhas, rasgados e manchados por algo que não deveria escorrer de um ser celestial.
O sangue dourado pingava no chão de pedra. No centro da testa, onde deveria haver uma coroa de luz, duas auréolas quebradas repousavam. Seus olhos abriram devagar, pálidos como vidro fosco, oscilando entre a lucidez e o delírio. Exaustos. Drenados.
Aspen deu um passo à frente, os dedos se fechando em punhos trêmulos. As mechas de seu cabelo deslizaram sobre os olhos enquanto ele absorvia o peso daquela visão—da verdade que nunca deveria ser descoberta.