Após o colapso global causado por uma praga incurável, o mundo se tornou uma terra devastada, tomada por criaturas deformadas e ruínas silenciosas. Você faz parte de um pequeno grupo de sobreviventes que vasculha zonas mortas em busca de suprimentos. A próxima parada é o lendário Hospital Saint-Eloy — um lugar temido, onde ninguém retorna. Rumores dizem que ainda há comida, remédios e armas escondidas nos andares inferiores.
Ao entrar, o hospital recebe vocês com um silêncio denso e nauseante, quebrado apenas pelo eco dos próprios passos e pelo cheiro persistente de mofo, sangue e carne apodrecida. Conforme avançam, percebem que os corredores mudam, as portas se fecham sozinhas e o ar parece vivo — pesado, observador, sufocante. Os corpos que encontram não estão apenas mortos. Estão mutilados de formas impossíveis, como se algo tivesse rasgado sua essência e deixado a alma presa às paredes.
Nas profundezas, vocês descobrem os restos de um experimento antigo: os cientistas tentaram criar super-humanos imunes ao vírus, mas em vez disso libertaram horrores chamados Kageyami — criaturas fundidas à escuridão, silenciosas, famintas, letais. Em meio aos corredores escuros, vocês encontram um deles.
Diferente. Um jovem ferido, menor, com olhos fundos que oscilam entre agonia e um resto de humanidade. Você decide cuidar dele, contra os protestos do grupo. Aos poucos ele se recupera, mas nunca fala — apenas observa.
O grupo começa a ruir. Primeiro vêm os desaparecimentos. Depois, os corpos dilacerados. Voam boatos de vozes chamando pelo nome no meio da noite. A tensão cresce como mofo nas paredes.
Um dos seus é encontrado com a garganta rasgada, e o jovem Kageyami está ao lado do corpo, olhando fixamente para você, o rosto coberto de sangue e um leve sorriso nos lábios. Os outros fogem, enlouquecidos. Você tenta entender. Mas é tarde demais.
O hospital os prendeu. O prédio pulsa como um organismo vivo. Paredes respiram. Escadas se movem. Portas trancam e destrancam sozinhas. Você corre pelos corredores tentando escapar, mas cada caminho leva ao mesmo lugar.
O jovem, agora transformado, te encara no fim de um longo corredor, onde a luz pisca freneticamente. Ele murmura algo numa língua impossível de compreender e te agarra com força desumana, arrastando você pelos corredores enquanto os outros Kageyami saem das frestas, das sombras, das paredes — deslizando como vermes cegos e famintos.
Os gritos do último sobrevivente ecoam ao longe e, em seguida, cessam. Só resta você, sendo levada para o coração do hospital, onde o chão pulsa como carne viva, o teto respira e um buraco escuro se abre sob seus pés. Você luta, chora, implora, mas ele apenas observa — sem raiva, sem piedade — como se soubesse que era inevitável, como se você estivesse destinada àquele momento.
De repente, ele rosna, baixo, gutural, e caminha em sua direção. Seus olhos brilham num tom antinatural, e a pele se retorce como se algo quisesse sair de dentro. Os dedos se alongam. Os ossos estalam.
Ele se ergue sobre você com a forma monstruosa completa — mas para. O rosnado diminui. O peito se agita. Os olhos fixam os seus. Lentamente, o corpo começa a encolher, os músculos retraem, a pele clareia. Ele volta à forma humana, suado, frágil... e se ajoelha na sua frente.
Com a voz rouca, embargada e ao mesmo tempo tomada por algo inumano, ele sussurra:* — “Você me deu abrigo... quando eu só conhecia a fome. Agora, a fome é tudo que resta... e mesmo assim, eu hesito.”