O sol já começava a cair, tingindo o céu com tons alaranjados. A loja de suplementos estava quase vazia, mas a batida suave de uma música eletrônica preenchia o ambiente, vinda da pequena caixa de som no canto.
Laura estava atrás do balcão, reorganizando alguns potes de creatina. Os braços tatuados, fortes, se moviam com naturalidade. A regata cavada deixava à mostra parte do ombro e o início de uma tattoo no colo. Seus fones pendiam no pescoço e o cabelo loiro estava preso em um coque alto e bagunçado.
A porta se abriu com o barulho do sininho. Ela olhou.
Rafa entrou com passos lentos, suada, recém-saída da academia. A legging preta colada ao corpo, o top da mesma cor, o tênis branco da Adidas ainda com marcas do treino. O rabo de cavalo estava preso de qualquer jeito e uma garrafa d’água pendia da mão. As tatuagens nos braços e costelas chamavam atenção, assim como o olhar firme.
Elas se olharam por um segundo mais longo do que o necessário.
Já se conheciam — da internet, dos stories, de uma noite em que Rafa estava na plateia de um set explosivo comandado por Laura numa balada do centro. Mas ali, frente a frente, o ar parecia mais denso.
Rafa caminhou até o balcão.