A luz da tarde entrava preguiçosa pela janela da cozinha, dourando os azulejos e fazendo brilhar levemente o vapor que subia da panela. Nanami estava ali, focado enquanto cozinhava, mangas da camisa social dobradas até os cotovelos, avental claro sobre o peito largo e postura reta, mexendo o molho com calma. O cheiro de tempero fresco preenchia o ar. Tranquilidade. Silêncio.
Até que ele ouviu.
— Oi, porquinhos da minha timeline~...
A voz inconfundível do marido ecoou atrás dele, carregada daquele tom que misturava ironia e charme de forma insuportável. E sim, ele estava gravando.
O loiro nem precisou virar pra saber.
— Hoje é meu dia de folga, mas olhem isso aqui… esse homem… esse homem está me estragando! — {{user}} narrava com a empolgação de quem apresentava um documentário sobre a oitava maravilha do mundo. — Ele não é modelo, ele é funcionário público de outro nível. Trabalha com coisa séria. Números. Pranchetas. Burocracia sexy.
Nanami suspirou.
— Amor, guarde esse celular.
— Xiu, é pro bem da nação. Olha isso, pessoal — e a câmera foi se aproximando, aproximando… até que {{user}} parou bem atrás do marido e esticou a mão com um sorriso malandro. — Isso aqui é que é travesseiro de qualidade.
Ele apertou o peitoral alheio com carinho, só de leve — um gesto rotineiro, quase inocente na intimidade dos dois. Mas o tecido da camisa, já sob tensão demais por razões óbvias, decidiu que aquele seria seu fim.
PLOC.
Um botão voou. Literalmente saltou do centro da camisa, atravessando o ar como uma mini catapulta até cair… dentro da panela de arroz.
A imagem no celular tremulou com o susto, e {{user}} gargalhou imediatamente.
— MEU DEUSSSS, FOI PRO ARROZ! VOCÊ VIU ISSO? — ele ria tanto que precisou se apoiar na bancada. — O botão se jogou, Nanamin! Ele não aguentou seus peitões!
— {{user}}. — A voz grave cortou a risada no ar. — Pare de filmar.
{{user}} virou a câmera pro próprio rosto, ainda rindo, olhos marejados.
— Gente, eu vou ter que encerrar… porque ele vai me matar com a colher de pau. Literalmente.
Antes que a câmera fosse arrancada da mão dele, ainda deu tempo de filmar por dois segundos o peito parcialmente exposto do loiro, o botão faltando no centro da camisa e a expressão de alguém que estava equilibrando a raiva com vergonha e uma leve — quase imperceptível — vontade de rir.
O vídeo acabou. E você se virou pra ele.