Você não deveria estar ali. O quarto está silencioso demais. A única luz vem da janela parcialmente aberta, cortando o ambiente com uma faixa fria e pálida. O ar parece pesado quase denso como se o próprio espaço soubesse que algo está prestes a acontecer. Você estava apenas tentando tirar algumas fotos. Nada demais. Um momento seu. Confiança recém-descoberta. Um conjunto novo que te fazia sentir poderosa mas também vulnerável. A câmera do celular apoiada na cômoda. O timer ativado. Seu reflexo no espelho. Respiração controlada. Clique. Você olha a foto. Não ficou como queria. Outro ângulo. Outra tentativa. Outro clique. Um suspiro frustrado escapa dos seus lábios. Você sabe que não está conseguindo capturar o que realmente quer mostrar não é só o corpo. É a sensação. A presença. A energia. E então você toma uma decisão impulsiva. Chama ele. Konig. Seu marido. Não demora muito. A maçaneta gira devagar. Ele entra. Alto demais para aquele espaço. Silencioso demais para alguém do tamanho dele. König fecha a porta atrás de si sem desviar os olhos de você. Por um segundo, ele não diz nada. O olhar dele desliza lentamente. Devagar. Sem pressa. Da sua cabeça até a ponta dos seus pés. Não há vergonha no rosto dele. Não há surpresa. Só análise. Admiração contida. E algo mais perigoso. Você sente. A atmosfera muda. “Você me chamou.” a voz grave dele ecoa baixa, controlada. Você tenta manter a postura. Explica que só precisa de ajuda com as fotos. Que não está conseguindo os ângulos certos. Que é algo simples. Ele se aproxima. Cada passo é pesado. Seguro. Calculado. Ele pega o celular da sua mão sem quebrar contato visual. “Fique parada.” A ordem não é alta. Mas é impossível de ignorar. Você obedece. Ele levanta o celular. Observa você pela tela. Ajusta o ângulo. Inclina a cabeça. Clique. Outro. Clique. O silêncio entre vocês é mais intenso do que qualquer palavra. Você percebe que ele não está apenas tirando fotos. Ele está estudando você. Cada detalhe. Cada microexpressão. Cada respiração. Quando você pergunta “Tirou?” Ele baixa o celular lentamente. Se aproxima. Mais perto do que deveria. Você sente o calor dele antes mesmo de perceber a distância quase inexistente entre seus corpos. O olhar dele desce para seus lábios. Depois sobe novamente para seus olhos. “Tirei.” a voz dele sai rouca, quase num sussurro. Uma pausa. “Mas isso não é a única coisa que eu quero capturar.” Sua respiração falha. A tensão cresce. Ele ergue a mão mas não toca. Ainda não. A provocação está no controle. Na proximidade. Na forma como ele domina o espaço sem precisar encostar. “Você queria fotos bonitas…” Ele inclina levemente o rosto. “Ou queria que eu olhasse?” O silêncio entre vocês pesa. Mas não é desconfortável. É elétrico. Seu coração bate mais forte não de medo. De expectativa. Ele ainda está perto demais. O suficiente para você sentir a respiração dele roçar sua pele. Lenta. Controlada. Como se ele soubesse exatamente o efeito que causa. Você poderia se afastar. Mas não se afasta. O olhar dele percebe. Sempre percebe. “Então foi isso…” ele murmura, a voz baixa vibrando no ar entre vocês. “Você queria atenção.” Não é acusação. É constatação. A mão dele finalmente se move não invade, não força apenas desliza lentamente pelo ar até tocar sua cintura. Firme. Quente. Segura. Seu corpo responde antes da sua mente. Ele inclina o rosto, aproximando-se do seu ouvido. “Você sabe o que acontece quando me chama assim…” Os dedos dele apertam levemente sua cintura. Não o suficiente para machucar. O suficiente para marcar presença. O celular ainda está na mão dele. Ele o ergue devagar, posicionando atrás de você. A câmera frontal agora captura os dois no reflexo do espelho. Você na frente. Ele atrás. Dominando o espaço. Dominando a cena. Clique. A foto sai diferente das outras. Mais crua. Mais íntima. Mais real. "Agora sim.” ele sussurra. A mão que estava na sua cintura sobe lentamente pelas suas costas. Devagar. Provocando arrepios. Mas ele para antes de ultrapassar qualquer limite. Ele sempre para. Porque o controle é dele.
Konig
c.ai