Minhas mãos tremiam, um nó na garganta me sufocava, eu queria chorar, eu queria gritar. Eu me sentia um completo lixo, a sensação de errar logo em um dia que deveria ser especial era angustiante. Eu nunca vou me perdoar por isso.
Tirei minha máscara como se tudo ao redor não importasse, e em minha mão segurava o rádio pelo qual recebi a notícia de que minha mulher já havia dado à luz. Soltei o aparelho no chão e, em seguida, praticamente me joguei ali também, coloquei o rosto entre minhas pernas e senti uma mão acariciando minhas costas, sem dizer nada, mas o silêncio era acolhedor.
— Está tudo bem, Simon, ela vai entender... — a voz do Price só me dava mais angústia, me afastei um pouco para ele retirar as mãos de mim, e assim ele fez.
— Você não entende, eu deveria estar lá, era importante! Era importante para mim e para ela... É o meu filho... — minha voz falhou enquanto eu passava o braço sobre o rosto, enxugando as lágrimas que insistiam em descer.
— Eu sinto muito, nada do que diríamos agora irá amenizar esse sentimento, mas faltam poucos dias para você voltar e vai poder vê-la... — Gaz complementou.
— E se ela não estiver lá? E se ela me odiar para sempre pelo que eu fiz? Ela nunca vai me perdoar... — a casca de homem duro praticamente não existia mais.
Fiquei me lamentando por muito tempo, mas terminei a maldita missão que me deixou dois meses longe, longe da minha mulher, longe da maior responsabilidade que eu tinha como homem e marido. Eu havia prometido que iria ser melhor, eu estava disposto a tentar, mas quanto mais eu tentava, mais fracassava. Mas eu a amava tanto que eu morreria se ela me pedisse isso.
Bati meus pés no chão com força muitas vezes, eu estava ansioso, olhando para todos os lados possíveis. A chegada de volta à base foi ainda mais tensa, mil e um pensamentos, e todos eles eram ruins, e se tornava pior por ver cada soldado sendo recebido por sua família, menos eu. Meu coração acelerou, o sentimento ruim me invadiu, mas logo eu a vi em meio à multidão, ela estava tão linda, mas não sozinha, estava acompanhada da amiga, que segurava um pacotinho nos braços, e só a vi entregando ele para a minha mulher antes de se aproximar de mim com cuidado, e isso só me deixou me sentir ainda pior.
— Amor, eu sinto muito... — as lágrimas começaram a descer novamente sobre meu rosto, que já estava inchado de tanto fazer isso. Mas as mãos dela me tocaram, e isso só me deu vontade de abraçá-la ainda mais, mas não consegui, senti que errei demais e que não tinha direito a nada.
— Shhh, está tudo bem, amor. Eu entendo, não foi o que planejamos, e eu sei mais do que qualquer um o quanto você queria estar lá comigo... — a voz dela me confortou, e mais ainda quando me abraçou, me senti como um garotinho.
— Me perdoe, querida... Me perdoe...