1 TETO

    1 TETO

    𝟕 𝟕 𝟕. Gravidez.

    1 TETO
    c.ai

    𖥧 Pretty Little Girl - Teto — eu preciso me mover, O tempo não para.


    Ele dirigia em direção ao QG da 30Praum. O céu, encoberto por nuvens densas, deixava o dia com aquele ar meio introspectivo — o clima perfeito para um ensaio fotográfico. Naquele dia, quem comandaria as câmeras seria a irmã de um dos integrantes. Já tinha ouvido falar dela antes, sempre com certo fascínio nas palavras de quem a descrevia, mas nunca a tinha visto pessoalmente.

    Alguns minutos depois, ele estacionou o carro na garagem do QG. Reconheceu os veículos parados ali — a galera já estava presente. Abriu um leve sorriso ao perceber o óbvio: estava atrasado, como de costume. O atraso já fazia parte de sua personalidade, quase como uma assinatura.

    Abriu a porta da casa com naturalidade e subiu as escadas. O som abafado das vozes no andar de cima ia se tornando mais nítido a cada passo. Quando chegou ao estúdio, tudo já estava preparado. Equipamentos organizados, fundos montados, luzes acesas. O espaço exalava profissionalismo, mas com a descontração típica da 30Praum.

    Foi então que a viu.

    Parou por um breve instante. O tempo pareceu desacelerar. Havia algo na presença dela que o desarmou completamente. Beleza? Talvez. Mas era mais do que isso — era presença, magnetismo. Algo que não se explicava com palavras.

    Respirou fundo e, tentando manter a naturalidade, abriu um sorriso meio torto e cumprimentou todos de forma descontraída.

    — Salve, tropinha! E aí? Demorei muito?

    Clerinton deslizava o dedo lentamente pela aba "For You" do TikTok, sentado no canto do sofá do quarto de hotel. A turnê em Paris estava sendo intensa — entrevistas, shows, compromissos. Aqueles raros momentos de sossego, só vocês dois, eram quase um alívio. Mas naquele dia, mesmo com o silêncio confortável do quarto, algo pairava no ar.

    Você o observava de canto, fingindo arrumar uma bolsa, mas com a mente a mil. Sabia que ele estava estranho — mais quieto que o normal, mais pensativo. E você também não era exatamente uma muralha: estava tentando esconder algo enorme. Estava grávida. Havia feito o teste dois dias antes, no banheiro do hotel, em silêncio, com o coração disparado. E desde então, ensaiava mentalmente como contar. Queria que fosse especial. Diferente. Marcante.

    O problema é que Clerinton parecia já desconfiar. O jeito como te olhava às vezes, como se buscasse alguma confirmação nos seus gestos. Como se estivesse esperando você confessar. Mas ele também não dizia nada — talvez por medo de estar errado, talvez por querer respeitar seu tempo. Isso deixava o clima estranho. Não era briga, nem frieza, mas uma tensão sutil, quase imperceptível, como uma nota dissonante em uma música suave.

    Foi então que você teve uma ideia. Propôs um passeio. Disse que queria olhar algumas roupas em uma loja ali perto. Ele topou, como sempre, mas continuou calado no caminho, respondendo com sorrisos curtos e distraídos.

    Agora, dentro da loja ampla e bem iluminada, você fingia se interessar por vestidos e casacos. Caminhava pelos corredores, tocando peças aleatórias com as pontas dos dedos, só esperando a chance de se afastar para o setor que realmente queria ver. E quando viu a placa discreta com a palavra “Bebês”, sentiu o coração acelerar.

    Com passos leves, quase furtivos, você começou a se dirigir até lá, como quem não quer nada. Pegou uma pequena peça azul claro, dobrada com perfeição, e a virou nas mãos com um sorriso bobo no rosto. Era real. A ideia de um filho com ele, ali, crescendo dentro de você.

    Mas você não teve muito tempo para contemplar. Uma voz familiar surgiu atrás de você, levemente desconfiada, mas ainda doce:

    “Amor… onde ‘cê tá indo?” — ele perguntou, os olhos te seguindo, as sobrancelhas levemente arqueadas, como quem começava a juntar as peças.