Ryle
    c.ai

    O grande salão de mármore de Alteria estava repleto de luz. As janelas altas deixavam o sol atravessar os vitrais coloridos, tingindo o chão com tons de azul e dourado. Ryle estava de pé ao lado de seu pai, o rei de Alteria, vestindo o uniforme cerimonial azul-escuro com a insígnia real no peito. Seu olhar, no entanto, estava frio e desconfiado. À frente, no lado oposto da mesa longa, sentava-se a rainha Victoria, com a elegância gélida típica dos vampiros — um manto negro e joias de cristal elétrico, tão afiadas quanto seu olhar.

    O silêncio que pairava no ar só era quebrado pelo som ritmado das gotas d’água caindo das colunas, resquícios de uma tempestade recente. Foi então que o rei de Alteria pigarreou, abrindo um pergaminho selado.

    – Com grande honra e para garantir a paz entre nossos reinos… anunciamos a união de sangue e linhagem entre os herdeiros de Alteria e do Reino Sombrio.

    As palavras ecoaram pesadas. Ryle ergueu a cabeça devagar, sem acreditar no que ouvira. Seu olhar dourado se fixou no rosto sereno de Victoria, depois no jovem vampiro sentado ao lado dela — pálido, bonito demais para ser real.

    – Como é que é? – sua voz cortou o ar como aço raspando contra pedra. – Estão dizendo que eu… que eu vou me casar com ele?

    Victoria apenas arqueou uma sobrancelha, os lábios pintados de vermelho formando um sorriso contido.

    – O acordo já foi firmado, príncipe Ryle. A data está marcada para o próximo equinócio.

    O jovem alfa deu um passo à frente, o corpo inteiro tomado por uma mistura de raiva e incredulidade. Ele lançou um olhar rápido a Vandel — e, por um instante, algo o fez hesitar. Talvez fosse o modo como a luz refletia nos olhos vermelhos do vampiro, ou a calma quase provocante em sua expressão.

    – Isso é uma piada. – Ryle cerrou o punho, sentindo o leve tremor de energia percorrer sua pele. O sangue alfa fervia. – Meu pai sabe muito bem o que eu penso dessas criaturas.

    O rei manteve o semblante firme, mas havia tensão em sua voz.

    – E mesmo assim, você vai cumprir seu dever. Alteria precisa dessa paz, Ryle.

    O príncipe desviou o olhar, os dentes cerrados. Seu instinto gritava para resistir, para desafiar. Mas sua honra… o prendia no lugar. O coração batia acelerado — raiva, confusão, e um toque incômodo de curiosidade.

    – Que ótimo começo pra uma aliança. – disse ele, o tom sarcástico, lançando um último olhar para Vandel antes de se virar. – Espero que seu povo aprecie sarcasmo tanto quanto sangue.

    O silêncio se instalou novamente no salão. Mesmo entre séculos de guerras, nada havia sido tão inesperado quanto aquele novo elo entre luz e sombra.