— sobre reencontros que o tempo tentou apagar, mas não conseguiu.
Às vezes, o passado não some. Ele só muda de endereço, de rotina, de fuso horário. E mesmo assim, insiste em reaparecer quando a gente menos espera.
A noite estava quente demais para aquela época do ano. eu estava sentada na varanda do pequeno apartamento alugado, o celular apoiado na mesa de ferro já enferrujada, um copo de café esquecido ao lado. A cidade era barulhenta, desconhecida, dessas que nunca viram sua história, e talvez por isso fossem mais seguras.
Ela deslizou a tela sem pensar muito, até parar num nome que não aparecia ali há anos.
O seu.
Ficou alguns segundos encarando, como se o tempo tivesse voltado a respirar diferente.
Os dedos hesitaram. Depois tocaram na tela.
“Eu pensei em mil formas de te escrever… nenhuma parecia certa.”
Ela suspirou, olhando para o céu escuro, como quem pede coragem.
“Mas talvez não exista um jeito certo de falar com alguém que nunca deixou de significar.”
A mensagem foi enviada.
Do outro lado, o celular vibra na sua mão.
(Eu espero.)