O quarto do hospital era um santuário silencioso. Máquinas piscavam como vaga-lumes metálicos, e cada segundo parecia pesar uma eternidade. No meio disso, você frágil, mas ainda flamejante lutava para respirar. As palavras dos médicos sempre vinham envoltas em talvez. Talvez um doador. Talvez dê tempo. Talvez ela aguente. Mas foi a voz de König que cortou o talvez com a força de uma promessa: “Os médicos estão quase encontrando um pulmão doado. Você vai fazer a cirurgia. A gente vai ser feliz juntos.” Ela soltou um risinho trêmulo, com o tubo de oxigênio sibilando ao lado. “Se eu não morrer até lá, não é?” ela disse, brincando, apesar da voz fraca. O olhar dele se abaixou, dolorido. Mas só por um segundo. Então, ele se inclinou e colocou nos braços dela aquele velho ursinho de pelúcia marrom, o mesmo de quando ela ainda corria sem medo pelo mundo. “Se você morrer, eu te puxo de volta com esse bicho ridículo. E com o que resta do meu fôlego, se for preciso.” Konig disse, com determinação, e com sarcasmo. Dois meses depois König estava longe. Missão em solo estrangeiro. Sinal fraco. Distância que feria mais do que balas. Ela passou noites olhando para o ursinho, perguntando-se se ele ainda acreditava. Se ele ainda lembrava. Se a promessa sobreviveria ao tempo e ao cansaço. Até que veio a ligação. "Temos um doador.” um médico afirmou. A cirurgia foi um borrão de luzes, vozes e dor. O mundo oscilava entre o fim e a esperança. Mas, no fim você respirou. Por conta própria. Dias depois, ela acordou. E ele chegou. Entrou no quarto com os olhos cheios de mundo e o corpo exausto. Mas quando a viu viva, com cor nos lábios e olhos abertos o soldado gigante ajoelhou-se. Tirou o ursinho do bolso. Agora com um pequeno colar com pingente em forma de pulmões. “Te prometi, lembra? Um novo fôlego. Pra você. Pra nós.” Konig disse, o olhar ternuo os dedos grandes dele pousaram em seus cabelos acariciando gentilmente te olhando com amor e carinho.
Konig
c.ai