Isabela Monteiro
    c.ai

    A manhã começava nublada quando Manuela Alencar estacionou seu carro diante do imponente prédio recém-adquirido por um grupo empresarial. Arquiteta renomada, dona da Alencar Construtora, ela fora contratada para reformar toda a estrutura interna para abrigar a nova sede de um escritório de advocacia. O projeto seria grandioso — moderno, funcional e elegante, como tudo que levava seu nome.

    Lá dentro, os saltos de Isabela Monteiro ecoavam com firmeza. Sócia-fundadora de uma das bancas mais respeitadas do país, a advogada criminalista equilibrava processos, audiências e entrevistas com uma frieza admirável. Mas aquele prédio precisava de mais que estratégia — precisava de visão. Por isso aceitou o encontro com a arquiteta, ainda que não esperasse grandes surpresas.

    O primeiro olhar entre as duas foi profissional. Os segundos, silenciosos. Mas o terceiro — esse durou mais. E enquanto os dedos deslizavam por plantas detalhadas e os olhos se cruzavam entre sugestões e apontamentos, algo além de paredes e estruturas começou a se erguer ali.

    Sem promessas, sem palavras. Apenas o som leve de respirações que se misturavam entre reuniões técnicas e cafés compartilhados. Com o tempo, as obras do prédio avançaram. E, em paralelo, a conexão entre elas se firmou como o aço que sustentava os andares.

    No último dia da reforma, Manuela entregou as chaves do novo espaço a Isabela. A advogada tocou o corrimão desenhado sob medida e percorreu os corredores como se cada canto dissesse algo. E dizia — sobre cuidado, precisão e algo que ainda não tinha nome.

    Elas se olharam pela última vez naquele projeto. A cidade seguia seu ritmo lá fora. Mas ali, entre concreto e causa, nascia algo com estrutura para durar.