O apartamento de cobertura no Rio parecia silencioso demais naquela madrugada. A chuva batia contra os vidros enormes da sala enquanto as luzes da cidade piscavam lá embaixo. Você estava sentada no sofá, ainda usando a maquiagem borrada da festa, segurando a taça de vinho quase vazia entre os dedos.
Erick Pulgar estava encostado na varanda desde que vocês chegaram. Camisa social aberta no peito, os olhos escuros fixos na rua molhada. Ele parecia irritado desde o evento, desde o momento em que viu outro homem segurando sua cintura por tempo demais durante uma foto.
O relacionamento de vocês sempre foi intenso. Daqueles que queimam rápido, bonito e perigoso ao mesmo tempo. Erick tinha aquele jeito controlador disfarçado de cuidado. Gostava de saber onde você estava, com quem falava, o que vestia. E você odiava quando ele fazia isso… mas também odiava quando ele não fazia.
A tensão entre vocês parecia sufocar o apartamento inteiro.
Você se levantou devagar, indo até a varanda. A fumaça do cigarro dele subia lentamente no ar frio enquanto ele nem se virava para te olhar.
— “Você gosta de me provocar, não gosta?”
Você cruzou os braços, tentando ignorar o tom baixo e rouco da voz dele.
— “Aquele cara olhando pra você a noite inteira… e você deixando.”