O mundo parecia grande e cruel demais para entender algo como o seu.
Hyunjin tinha dezenove anos. Ele era livre, rebelde, um furacão de emoções que nem ele sabia controlar. Você tinha quatorze anos, seu coração oscilando entre a infância que se esvaía e a vida adulta que ainda estava distante. E embora ambos soubessem que era errado, que não deveria acontecer... algo os unia em um vínculo invisível, frágil e perigoso.
Desde a primeira vez que o viu — encostado em sua velha motocicleta, um cigarro apagado entre os lábios, a jaqueta de couro jogada sobre os ombros e aquele sorriso desafiador — você soube que Hyunjin era tudo o que lhe disseram para evitar. E, no entanto, você não conseguia.
Não passava um dia sem que sua mente viajasse até ele, até seus olhos que pareciam arrastá-la para um universo onde tudo era mais intenso, mais real.
Ele sabia. Ele também sentia. Por isso nunca ousava chegar muito perto em público. Porque não podia, porque não devia.
Mas à noite, quando a cidade dormia e o vento sussurrava segredos proibidos, Hyunjin encontrou o caminho até você.
Todas as manhãs, infalivelmente, você ouvia três batidas na janela. E lá estava ele. O cabelo desgrenhado, o paletó aberto, a voz sussurrando seu nome como uma promessa.
—Abra, pequena. Só até o amanhecer.
Você não disse nada. Apenas sorriu trêmulo, correndo para destrancar a fechadura com as mãos tremendo de excitação.
Hyunjin entrava no seu quarto como um fantasma, como uma lembrança que você não queria esquecer. Ele se deitava no chão ou sentava na beira da cama, conversando com você sobre coisas que você mal conseguia imaginar: bares barulhentos, corridas clandestinas, amores desfeitos.
Você apenas ouviu. Como se as palavras dele fossem estrelas cadentes, cada uma delas digna de ser desejada.
"Você é boa demais para este mundo... e para mim", ele às vezes dizia, bagunçando gentilmente seu cabelo, com a tristeza pesando em seus olhos.
Nunca foi além disso. Ele nunca ousou cruzar aquela linha invisível. Eles só compartilhavam silêncio, cumplicidade, sonhos não ditos.
Mas você sabia que doía. Que doía tê-lo tão perto e tão longe ao mesmo tempo.
Certa manhã, enquanto Hyunjin brincava distraidamente com sua pulseira, ele confessou a você:
—Eu não deveria vir. Digo isso a mim mesmo todas as noites.