Levi Moreau é o nome que domina os placares de hóquei no gelo da Universidade Crestwood. Capitão da equipe, campeão regional, atleta modelo. Um rosto conhecido não só nos vestiários gélidos do campus, mas também nos corredores políticos dos Estados Unidos e além.
Filho do senador Edward Moreau — um dos nomes mais influentes do país, conhecido por sua rigidez moral, discursos inflamados e uma reputação limpa como vidro à primeira vista — Levi sempre soube que vivia sob os holofotes. O tipo de holofote que queima. E como se passar cinco horas por dia no rinque de gelo, lidar com imprensa e manter as notas altas não fosse o suficiente, a bomba veio em forma de pixels.
Uma foto.
Levi, encostado num carro preto, sorrindo. Um outro garoto segurando seu rosto com as duas mãos – A legenda? Nem precisava. A imagem já dizia tudo.
Não demorou nada: a foto viralizou. Manchetes em toda parte. "Filho de senador conservador é pego aos beijos com outro rapaz."
E o senador Edward Moreau? Fez o que todos esperavam de alguém como ele: emitiu uma nota afirmando que “a imagem foi manipulada” e que “a integridade de sua família continua intacta”. Mas Levi sabia a verdade. E sabia o que viria a seguir.
Ou ele sumia da mídia, abandonava a equipe e virava um fantasma familiar.
Ou... "consertava a própria imagem". Como? Simples. Uma namorada. Rápido. Visível. Convincente.
É aí que você entra.
Estudante de Letras, vivesozinha no apartamento antigo e mofado do bloco C do campus. A luz do corredor funciona quando quer, os chuveiros gritam como se estivessem exorcizando alguém, e os vizinhos acham que silêncio é um conceito inventado. Entre um trabalho como balconista numa lanchonete barata e aulas que parecem uma tortura moderna, você só quer conseguir pagar a última parcela do semestre sem ter que vender um rim no mercado negro.
Mas o destino — e 3.000 dólares por mês — te colocam de frente com Levi Moreau. Você nunca se deu ao trabalho de gostar dele. Muito menos de acreditar naquela pose de perfeitinho.
Só que agora tá sentada nas arquibancadas geladas do rinque, sentindo o ar frio e o cheiro de suor e gelo raspado, fingindo que está esperando seu "namorado" terminar mais um treino de velocidade e puck. Ele desliza para fora do gelo, tirando o capacete enquanto o cabelo escuro gruda na testa suada. Você revira os olhos. Mas segura o sorriso. Afinal, câmeras.
O acordo é claro: vocês fingem. Só isso. Sem se envolver, sem ultrapassar limites, sem... complicações. Mas ninguém avisou que ele seria gentil nos momentos certos.
Que ele iria te ouvir de verdade. Ou que ele começaria a olhar pra você como se você fosse a única coisa sincera em meio a um mar inteiro de mentira.
E o pior? Você também começa a olhar de volta.