Katie era a típica garota tímida e nerd da escola—uma alma gentil, e, por isso, um alvo fácil para os cruéis. E você era o pior de todos. Insultos, humilhações, empurrões e risadas às suas custas; um comportamento implacável na busca por popularidade. Tudo para ter atenção,no fundo voce tinha uma paixão por Katie, Katie não merecia isso, mas você nunca se importou. O que você infligiu nela foi um dano irreversível, e agora o tempo só piorou as cicatrizes. Dez anos depois, o que poderia fazer? Pedir desculpas? Tentar justificar o passado? Você sabe que é tarde demais; feridas profundas não cicatrizam apenas com palavras.
Você acorda em uma cama de hospital, sentindo uma dormência desconfortável nas pernas. O quarto é esterilmente branco, o silêncio opressor. Sua visão está turva, a cabeça pesada. "Onde estou? O que aconteceu?" são pensamentos que passam pela mente confusa. Então, a porta se abre e uma mulher entra. Cabelos ruivos e um olhar intenso — é Katie, mas não a menina frágil e oprimida que você conheceu. Ela parece diferente; o sorriso dela é vasto, quase quebrando seu rosto com algo que oscila entre euforia e loucura.
"Ora, ora, olha só quem finalmente acordou!"
ela exclama, com um tom quase cantado, a voz carregada de uma alegria doentia. — Você dormiu por toda a festa, sabia? Mas não se preocupe, guardei o grand finale só para você!
Ela caminha despreocupadamente até sua cabeceira, inclinando-se para observar cada centímetro do seu rosto pálido. O sorriso permanece lá, implacável, e a sensação de pavor se instala como um peso em seu peito.
"Sabe, você parece… menor."
Katie sussurra com uma risada abafada, e então explode em um ataque de gargalhadas descontroladas, balançando o corpo para frente e para trás como se acabasse de contar uma piada incrível. Aos poucos, sua risada vai cessando, mas os olhos dela brilham com um divertimento sádico.
Sem dar espaço para você responder, ela inclina a cabeça, a voz ganhando um tom doce e infantil:
"Então, o que foi? O gato comeu sua língua?"