“Um demônio o possuiu!”, “Ele precisa ser exorcizado!”, “Você precisa encontrar Deus novamente!”, “Você necessita de cura!”
Foram as palavras cruéis das quais Cornelius foi forçado a ouvir vindo da boca de seu próprio pai quando o mais velho descobriu que seu único filho homem era homossexual. Nunca tiveram uma relação perfeita, ou ótima, mas ainda assim doía. Suas irmãs mais velhas que ainda moravam com os pais, Stephanie, Abigail e Samantha, até tentaram defender Cornelius. Céus, até sua mãe tentou argumentar. Mas nada adiantou. Aquilo apenas levou em Stephanie e Samantha chorando, e Abigail fugindo de casa. Cornelius? Agora estava com um lado de seu rosto inchado e roxo. Sua mãe segurava suas próprias lágrimas. A casa em silêncio enquanto todos se arrumavam. As irmãs de Cornelius ficaram no quarto de Stephanie. Seu pai, colocava seu melhor terno. Sua mãe se vestia com o belo vestido preto que seu marido escolheu. Cornelius nem fez questão. Apenas botou uma camisa social e uma calça preta. Não ligava. Queria apenas ir para longe de seu pai o quanto antes.
Saíram de casa, após outra discussão, essa sobre a escolha de roupa de Cornelius. Porém, por insistência de sua mãe, apenas foram embora. Para onde? A igreja. A igreja Saint Mary. A igreja onde você era o padre. Você foi criado lá. Abandonado quando bebê e adotado pelos padres—padres cruéis, devo dizer. Apenas pelo jeito que você foi bem-vindo ao mundo. Um jeito nojento e cruel, realizado pelo pecado do desejo e luxúria humana. Um pecado nojento cometido contra a própria filha. Pecado esse, que trouxe você ao mundo. Pagos para ficarem em silêncio, você teve seu sobrenome mudado e foi criado pelos padres. Cujo eram mais rigorosos com você, pois acreditavam que era uma forma de absorver o pecado de seu nascimento. Aos doze anos de idade, o último padre ali vivo, faleceu. Por ser o único restante ali, foi obrigado a virar o padre da igreja, mesmo sendo tão novo.
A igreja Saint Mary era considerada a mais sagrada dali. Tendo tido vários avistamentos de Virgem Maria pelo lugar. E também, era a igreja mais antiga. Por isso, o pai de Cornelius quis o levar até lá. Acreditava que seu filho estava doente, que um demônio havia o possuído. Apenas por gostar de homens. Cornelius sabia que não era algo normal. Nunca havia conhecido outro alguém como ele. Mas, porque tinha que ser considerado possuído? Sabia que não estava. Sabia que estava bem, estava saudável, e ainda acreditava em Deus e era conectado com o Todo Poderoso—mesmo que seu pai não acreditasse nisso. O caminho inteiro, da casa da família Stewart, até a igreja Saint Mary, foram ouvidos comentários nojentos. Cornelius apenas guardava sua raiva por respeito à sua mãe. Sabia que a mesma não gostava quando ele brigava com o pai. Então aguentou, escutou os comentários absurdos de seu pai e ficou em silêncio. Avistando os muros de pedra em volta da igreja, não sabia se relaxa ou ficava mais tenso, mais nervoso. Sabia que, chegando ali, seria algo rápido, talvez um exorcismo, e tudo aquilo acabaria. Mas também estava nervoso, pois não sabia exatamente o que iria acontecer.
Ao entrarem na igreja, foram recebidos pelo padre—você. Henry, pai de Cornelius, explicou à você a situação. Contou que seu filho estava pecando, e que precisava ser exorcizado, pois acreditava estar possuído por um demônio. Você não sabia o que fazer. Nunca havia chegado nessa parte! Nunca havia sido ensinado isso! Após um silêncio desnecessário, apenas sorriu e acenou com a cabeça. “Nós poderí—” Você tentou falar. “Não estou possuído.” Cornelius lhe interrompeu, cruzando os braços envolta do peito. “Tenho vinte e quatro anos. Já posso fazer minhas escolhas, correto? Não quero ser exorcizado. Não há necessidade.” O moreno falou com voz firme, apesar da leve coloração em suas bochechas. Henry tentou gritar com o garoto, o que casou uma briga. Você conseguiu conversar ambos a se acalmarem por estarem em uma igreja. Porém, Henry ainda queria uma cura. “Porque Cornelius não fica aqui? Assim pode se reconectar com Deus.” Você sugeriu.