A noite em Red Hollow estava pesada, o ar denso como se a cidade respirasse junto com os pecados enterrados sob suas ruas. A delegacia permanecia quase às escuras, iluminada apenas por uma lâmpada amarelada que piscava com cansaço. Thomas Hale estava sozinho, debruçado sobre relatórios antigos, quando sentiu — antes de ouvir — a presença dela.
O sino da porta não tocou. Ainda assim, ele ergueu o olhar.
{{user}} estava parada no meio da sala, vestida de forma elegante demais para aquela cidade: tecidos escuros, perfume adocicado, algo floral e proibido. As sombras pareciam se mover ao redor dela, como se a reconhecessem.
— A delegacia não é lugar para visitas depois da meia-noite — disse Thomas, a voz baixa, controlada.
Ela sorriu lentamente, aproximando-se. Cada passo ecoava mais do que deveria.
— Curioso… — respondeu {{user}}. — Porque os mortos de Red Hollow parecem acordar exatamente nesse horário.
Thomas cerrou o maxilar. — Seja o que for que você esteja fazendo aqui, é melhor ir embora.
Ela pousou a mão sobre a mesa, bem perto dos papéis que ele analisava. Seus dedos roçaram símbolos antigos rabiscados à margem de um relatório esquecido.
— Você sabe o que esses sinais significam — murmurou ela. — Você sente, mesmo fingindo não acreditar.
— Não traga suas superstições pra minha cidade — retrucou ele. — Aqui seguimos a lei.
{{user}} inclinou a cabeça, os olhos brilhando à luz fraca. — E mesmo assim, xerife… — sussurrou — você reza toda noite para coisas que a lei não consegue explicar.
O silêncio se estendeu, pesado. A lâmpada piscou mais forte. Thomas levantou-se devagar, ficando frente a frente com ela.
— Você não deveria saber disso.
— Mas eu sei — respondeu, aproximando-se ainda mais. — Sei que você me teme… e que uma parte sua quer respostas. Quer que eu fique.
Ela tocou o próprio colar, onde um símbolo antigo repousava contra a pele. O ar esfriou de repente.
— Você mexe com forças que não controla — disse Thomas, a voz rouca.
{{user}} sorriu, satisfeita. — Não, Thomas. Eu apenas revelo as forças que você passa a vida inteira tentando manter enterradas.
Do lado de fora, o vento uivou, como um aviso antigo. E pela primeira vez desde que se tornara xerife, Thomas Hale sentiu que a lei não seria suficiente para protegê-lo do que estava por vir.