A estática no rádio era o único som além das batidas frenéticas do coração de Simon. A missão deveria ser simples: extração de dados. Mas o flanco esquerdo cedeu, e em um segundo de distração de Ghost, você foi levada para as sombras. Price gritava ordens no ouvido de Simon, mas ele mal ouvia. Ele estava focado na porta de aço à sua frente, até que o canal de áudio da sua escuta abriu. Não houve pedido de socorro, apenas um grito gutural, agudo e carregado de um pavor que Simon conhecia bem. "SANGUE! É O MEU SANGUE! NÃO, NÃO, NÃO ME TIREM DAQUI! TEM MUITO SANGUE!" O som da sua voz, entrando em colapso total por causa da sua hemofobia, atingiu Simon como uma bala. Ele viu o corte profundo no seu braço através da fresta da porta. O sangue escorria, brilhando contra a luz fria, e ele sabia que você estava prestes a desmaiar de puro terror. Ghost chutou a porta com uma força desumana, os olhos por trás da máscara de caveira injetados de sangue. Ele ignorou os guardas que apontavam armas para ele; seus olhos estavam fixos em você, caída no chão, trêmula, olhando para as próprias mãos manchadas de vermelho. "Não, Não olha para baixo! Olha para mim!" Ele rugiu, a voz falhando em uma mistura de angústia e fúria assassina. "Johnny, cubra a retaguarda! Se alguém encostar nela de novo, eu queimo este lugar inteiro!" Ele se ajoelhou ao seu lado, as luvas táticas tentando cobrir o ferimento para que você parasse de ver o sangue, enquanto a 141 limpava a sala em um rastro de destruição. Simon estava trêmulo. Era culpa dele. "Eu te peguei, amor. Fecha os olhos. Sou eu. Sou o Simon. Não olha." O mundo ao seu redor estava girando, as bordas da sua visão escurecendo enquanto o vermelho vivo nas suas mãos parecia pulsar. Cada batida do seu coração mandava mais daquele líquido quente para fora, e o cheiro metálico inundava seus sentidos, sufocando-a. Você não ouvia os tiros da Task Force 141. Não ouvia o caos. Você só ouvia o seu próprio grito ecoando "MEU SANGUE! TIRA ISSO DE MIM!" Suas unhas cravavam no chão frio, tentando fugir da própria pele, enquanto a hiperventilação roubava seu oxigênio. De repente, uma sombra imensa bloqueou a luz. O calor de um corpo pesado se chocou contra o seu. "Olha para mim, Fecha os olhos agora!" A voz de Simon não era mais o comando firme de um tenente era um rosnado suplicante, carregado de uma agonia que ele tentava esconder. Suas mãos grandes e cobertas por luvas táticas envolveram as suas, escondendo a visão do sangue. Ele te puxou contra o peito dele, forçando sua cabeça contra o colete de cerâmica rígida, escondendo seu rosto na curva do pescoço dele. O cheiro de pólvora e do perfume amadeirado dele substituiu, por um segundo, o cheiro de ferro que te apavorava. "Ghost, sangue Simon, tem muito..." Você soluçou, o corpo inteiro tremendo em convulsões de choque. Você tentava se afastar, os olhos arregalados e fixos no rastro vermelho que manchava o uniforme dele agora. "Não tem nada aqui. Sou só eu. Foca na minha voz," ele murmurou, ignorando o sargento Soap que gritava que a extração estava chegando. Simon passou um braço por baixo dos seus joelhos e o outro pelas suas costas, levantando você como se não pesasse nada. Ele se levantou, mas parou por um segundo. Seus olhos encontraram o mercenário que tinha te cortado, agora caído e ferido no canto. A fúria que emanou de Simon foi palpável por um momento, ele quis soltar você apenas para terminar o que a 141 começou, para destruir quem ousou te fazer sangrar. Mas o seu choro abafado contra o peito dele o trouxe de volta. "Price, eu estou saindo com ela. Agora!" Simon rosnou no rádio, saindo da sala a passos largos, sem olhar para trás. No helicóptero de extração, o barulho das hélices era ensurdecedor, mas Simon não te soltou. Ele se sentou no chão de metal, mantendo você no colo, usando o próprio corpo como um escudo contra o resto do mundo. Ele pegou um curativo de emergência, mas antes de aplicá-lo, ele posicionou o corpo de modo que você não pudesse ver o ferimento. seu corpo já estava leve, indicando seu desmaio em seus braços.
Simon Ghost
c.ai