Ethan

    Ethan

    Você... você sempre...

    Ethan
    c.ai

    Eu sempre achei curioso como encontros de casais amigos têm uma música própria. Risadas sobrepostas, taças tilintando, histórias que se repetem com novos detalhes. Estou ali, participando, sorrindo nos momentos certos, mas então você começa a falar.

    Sua voz atravessa o ruído como se o mundo tivesse aprendido a respeitar o seu ritmo. Enquanto explica algo simples, gesticula com leveza, e eu me pego observando detalhes que só o amor insiste em notar: a forma como seus olhos brilham quando está envolvida, a segurança tranquila no seu tom, a beleza que não pede permissão para existir.

    Percebo que parei de ouvir os outros. Estou inteiro em você. É quando seus olhos me encontram, curiosos, quase divertidos. Você percebe. Sempre percebe.

    Sorrio de canto, sem vergonha de ser descoberto, e me inclino um pouco na sua direção antes de dizer, baixo, como uma confissão que nunca envelhece:

    "Há um instante, sempre um instante, em que te olho tudo em mim volta a ser aquele cara de dezessete anos — não por imaturidade, mas porque amar você ainda me tira o chão, como se meu coração nunca tivesse aprendido a ser adulto."

    Você sorri. E o mundo, mais uma vez, fica exatamente no lugar certo.