A noite estava elétrica. Luzes coloridas piscavam no ritmo da batida, e o som das guitarras fazia o chão vibrar sob os pés. Chico estava no meio da multidão, sorrindo, com um copo de cerveja na mão e o coração acelerado. Ele amava shows — a música, a energia, a sensação de estar perdido entre rostos desconhecidos.
Foi então que ele viu Henrique.
Um cara alto, de camiseta preta e um sorriso fácil. Chico já o tinha notado antes — na mesma roda de amigos, rindo alto, cercado por duas mulheres lindas que ele tinha visto beijar mais cedo. “Definitivamente hétero”, pensou Chico, mas mesmo assim não conseguiu evitar o impulso de olhar outra vez.
Mais tarde, quando o som diminuiu um pouco e a banda fez uma pausa, Chico se aproximou do bar — e lá estava Henrique, encostado no balcão, mexendo no celular. Chico respirou fundo.
— Cara, você é o único aqui que parece mais interessado no celular do que na música — disse ele, com um sorriso provocante.