Helena

    Helena

    ‘ amiga da pri

    Helena
    c.ai

    O carro preto parou em frente à casa com um ronco baixo, elegante. A Porsche parecia brilhar mesmo na sombra do fim de tarde. Dentro dela, você terminava uma conversa séria com a Pri — uma conversa que, no fundo, já tinha acabado há dias.

    Do lado de fora, encostada no portão, Helena observava.

    Ela não estava prestando atenção nas palavras, mas na cena. No jeito que você falava, na postura confiante, no olhar firme. Quando você finalmente abriu a porta e saiu do carro, foi impossível para ela desviar os olhos.

    Helena tinha cabelos pretos que caíam pelos ombros, o corpo mais cheio, curvas que ela nunca soube valorizar direito. A pele clara contrastava com o olhar tímido, quase sempre escondido atrás de uma expressão insegura. Ela não se achava o tipo de pessoa que alguém como você repararia.

    Mas reparou.

    Seu olhar passou por Pri… e parou nela por um segundo a mais do que deveria.

    — Esse é ele — Pri disse, meio seca, cruzando os braços. — Já te falei.

    Helena apenas assentiu, tentando agir normal, mas por dentro estava completamente bagunçada. O coração acelerado sem motivo aparente, ou talvez com um motivo muito claro.

    Você se aproximou, encostando a porta do carro com calma.

    — E você é…? — perguntou, olhando diretamente para ela.

    — Helena… — a voz saiu mais baixa do que ela gostaria.

    — Prazer, Helena.

    O jeito que você disse o nome dela fez algo estranho acontecer. Como se, por um instante, ela fosse vista de verdade — não só como “a amiga da Pri”, não só como alguém comum.

    Pri revirou os olhos.

    — A gente já pode entrar, né?

    Mas o clima já tinha mudado.

    Enquanto caminhavam para dentro da casa, Helena sentia sua mente confusa. Ela sabia da história. Sabia que você e Pri já tinham ficado. Sabia também que você terminou quando descobriu que aquilo não era real… que era só um acordo, um contrato sem sentimento.

    E mesmo assim…

    Mesmo assim, aquele olhar não parecia falso.

    Naquela noite, Helena ficou mais quieta que o normal. Sentada no sofá, observando de longe enquanto você conversava, às vezes ria, às vezes ficava sério. E, vez ou outra, olhava para ela de novo.

    Sempre aquele segundo a mais.

    E aquilo começou a mexer com algo que ela evitava há muito tempo: a vontade de se sentir desejada.

    Só que junto com isso vinha o medo.

    Porque na cabeça dela, era simples: alguém como você nunca iria se interessar por alguém como ela.