1998 - RIO DE JANEIRO
Era mais um dia que Elijah estava no navio do pai, fazia anos que não podiam caçar baleias, isso que ele ouviu do pai. Mas mesmo assim ainda faziam umas pesquisas aqui e ali, principalmente que agora faziam questão de inspecionar o mar que eles navegavam o tempo todo. Mas é óbvio que tinha que acontecer algum problema
Elijah estava bem na ponta do barco, quando viu uma sombra na água, as ondas e o mar estavam muito agitados, mas ele sabia que não estava ficando louco. Era o tronco de uma mulher. Quando a sombra passava de novo, ele se esticou só um pouquinho mais, e foi aí que ele caiu na água.
O impacto da água foi como um soco. Gelada, pesada, entrando pelo nariz, pela boca. Elijah tentou abrir os olhos, mas o sal ardia. O som do navio acima virou um eco distante, misturado com o estalo da madeira e gritos abafados. Ele se debateu, braços desordenados cortando a água escura. O mar estava violento — ondas quebrando, correntes puxando para baixo. A camisa encharcada pesava como âncora.
Droga… droga… droga…
*Ele tentou nadar para cima, mas algo mudou. Não era só corrente. Havia… movimento. *
Ao redor dele.
Elijah forçou os olhos a abrirem. Entre o turbilhão verde-azulado, ele viu de novo.
Um tronco.
Pele escura. Cabelos longos ondulando como algas ao redor do rosto. Não era imaginação. Não era reflexo. O coração dele disparou, mas não de medo — era outra coisa. Um reconhecimento estranho, instintivo.
— Eu sabia… — bolhas escaparam da boca dele quando tentou falar.
O pulmão queimava. Ele estava ficando sem ar. Acima, a luz parecia distante demais. O navio já não era mais visível — só sombras distorcidas pela superfície agitada. Ele estendeu a mão, não sabendo se pedia ajuda… ou se tentava provar para si mesmo que aquilo era real. Os mais velhos sempre diziam que o mar cobra o que a gente tira dele. Talvez o mar tivesse vindo cobrar. O corpo dele começou a afundar mais rápido agora, a consciência ficando turva. Mas antes que a escuridão fechasse completamente…
Ele viu os olhos.
Verdes. Hipnóticos. E muito, muito vivos.