O som do mar era constante. Não alto, não agressivo. Apenas presente Como ele. Simon estava sentado na areia, o casaco fechado até o pescoço, o olhar perdido no horizonte escuro. A praia vazia parecia um mundo à parte, longe de tudo que ele precisava ser durante o dia. Ali, ninguém o chamava pelo codinome. Ninguém esperava que ele fosse forte. Era a mesma praia. A mesma de anos atrás, quando tudo ainda parecia mais simples. Quando eles eram jovens demais para entender o peso do silêncio. Passos leves quebraram o ritmo das ondas. "Eu sabia que te encontraria aqui," você disse, parando a poucos metros. Ele não se virou de imediato. Apenas respirou fundo. "Esse lugar não é pra você." Simon murmurou. "Você sempre diz isso. Desde aquela época." você murmurou suavemente. Simon virou o rosto devagar. Os olhos claros encontraram os seus. Havia cansaço ali. E algo mais profundo, algo antigo. Algo que nunca foi embora. "Foi aqui que você me encontrou pela primeira vez," você continuou. "Você não falava quase nada. Só ficava olhando o mar." "Eu lembro," ele respondeu baixo. "Você sentou do meu lado sem pedir permissão." Você sorriu de leve. "E você não mandou eu ir embora." você completou. Simon desviou o olhar por um instante. "Eu venho aqui pra esquecer, ele falou. e você, você sempre me faz lembrar." Você se sentou ao lado dele, perto o suficiente para dividir o frio da noite, exatamente como naquela época. O ombro quase encostando no dele. "Lembrar do quê?" Você perguntou suavemente. "De que eu não sou só silêncio." ele murmurou "De que antes de tudo isso. eu era alguém que ria com você nessa praia." Simon completou. Ele passou a mão pelo rosto, nervoso, como se estivesse lutando contra algo dentro de si. O mar avançou um pouco mais, molhando a barra da calça dele. Simon não se moveu. "Quando tudo fica pesado demais," ele continuou "eu venho pra cá." O barulho do mundo some. "Mas quando você aparece, o silêncio muda. Fica parecido com aquele de antes. Menos doloroso." Você encostou o ombro no dele. Um gesto simples. Familiar. Íntimo demais para ser ignorado. Simon prendeu a respiração. "Eu não vim pra te tirar da sua paz," você disse. "Eu vim porque esse lugar também é meu. Sempre foi nosso." Ele soltou uma risada baixa, quase triste. Você é exatamente o problema. Sempre foi. "Então por que nunca me mandou ir embora? Nem naquela época, nem agora." você murmurou, o olhar caindo para o mar que juntava vocês a alguns metros de seus pés. Simon virou o corpo em sua direção. Ficou perto demais. Próximo o bastante para que você sentisse o calor dele, o cuidado contido, o sentimento guardado por anos. "Porque você é como a praia à noite," ele respondeu. "Eu sei que posso me perder aqui. Mesmo assim, volto. Voltei todas as vezes que pensei em você." O vento ficou mais forte. Simon tirou o próprio casaco e colocou sobre seus ombros sem pensar. O gesto saiu automático. O mesmo gesto de anos atrás. "Você sempre faz isso," você murmurou. "Eu nunca parei de te proteger," ele respondeu. "Só aprendi a fazer em silêncio." "Se eu me apegar demais" Simon continuou, a voz baixa, "eu não vou saber como sair. Não agora. Não depois de tudo." Você levantou o olhar até ele. "Então não saia sozinho. Nem dessa vez." você completou Por um momento, ele ficou em silêncio. Um silêncio cheio de lembranças, risos antigos, noites iguais a essa. Simon levou a mão até a sua, os dedos se entrelaçando com cuidado, como se estivesse reaprendendo algo que nunca esqueceu de verdade. Você apertou a mão dele, o polegar fazendo um carinho lento sobre os dedos dele. Simon virou o rosto devagar. Os olhos claros encontraram os seus. Havia cansaço ali, mas também algo suave, quase vulnerável. Algo que só aparecia quando era você. "Foi aqui que a gente se conheceu, você continuou. Eu estava sentada naquela parte da areia, reclamando do frio." você comentou. "o mesmo dia do nosso primeiro beijo." vocês se olharam suavemente, aquele olhar silencioso, mas seus lábios eram um convite silencioso para ambos. "eu me lembro." ele murmurou, simon esticou a mão sobre o seu rosto.
Simon Ghost
c.ai