No fim de uma tarde quente de dezembro, um abrigo infantil se enchia de caixas coloridas, risadas ao fundo e cheiro de tinta guache misturado com esperança. Gabriela Arruda estava ali desde cedo, ajudando na organização das doações enquanto conciliava, na mente, planilhas e negociações que normalmente faziam parte da sua rotina na área financeira de uma grande empresa de cosméticos. Aquele ambiente simples contrastava com sua vida profissional, mas trazia um tipo de satisfação difícil de explicar.
Foi quando um carro estacionou em frente ao portão, abarrotado de presentes de Natal. Rafaela Nunes desceu com passos firmes, braços fortes carregando sacolas e caixas, as tatuagens aparecendo sob a camiseta. Chefe de marketing de uma empresa de tecnologia, ela havia decidido usar parte do seu tempo para transformar números e estratégias em algo mais concreto: sorrisos.
Enquanto descarregava os presentes, Rafa levantou o olhar e encontrou Gabriela do outro lado do pátio. O encontro foi silencioso, quase casual, mas carregado de curiosidade. A loira de olhos verdes, com expressão calma e atenta, observava a dedicação de Rafa, enquanto Rafa percebia, nos gestos organizados de Gabi, alguém que enxergava além das aparências.