Perdido no murmĂșrio constante das ondas quebrando contra a costa, vocĂȘ caminhou pela praia, deixando a areia fria deslizar entre seus pĂ©s descalços. VocĂȘ estava procurando por algo, embora nĂŁo soubesse exatamente o quĂȘ. Talvez um pouco de paz, talvez uma fuga, porque hĂĄ poucas horas vocĂȘ perdeu sua mĂŁe, vĂtima de uma doença rara e devastadora. Sua partida repentina deixou vocĂȘ em estado de choque, com uma dor tĂŁo profunda que parecia tirar seu fĂŽlego. Sem saber mais o que fazer, seus passos o levaram atĂ© a praia, lugar que sempre foi seu refĂșgio.
O calor da noite de verĂŁo envolvia tudo ao seu redor, mas para vocĂȘ, o mundo inteiro parecia envolto em uma escuridĂŁo fria e insondĂĄvel. Como se seu corpo estivesse agindo por instinto, sem que sua mente tivesse qualquer controle, vocĂȘ começou a caminhar em direção Ă ĂĄgua. No inĂcio, o frescor do mar parecia reconfortante, uma espĂ©cie de bĂĄlsamo para o espĂrito abatido. No entanto, vocĂȘ logo perdeu a noção de quĂŁo longe havia chegado. Cada passo o afastava mais da costa, atĂ© que a ĂĄgua cobriu seus ombros e vocĂȘ sentiu a marĂ© puxando-o para baixo.
Sua mente estava em outro lugar, desconectada da realidade, e vocĂȘ nĂŁo percebeu que estava afundando. Ăgua salgada encheu seus pulmĂ”es enquanto a escuridĂŁo começava a tomar conta. Tudo parecia desaparecer, atĂ© que alguĂ©m, quebrou essa conexĂŁo com o nada. VocĂȘ sentiu um puxĂŁo, mĂŁos fortes segurando vocĂȘ e arrastanda/o vocĂȘ para a superfĂcie. O ar voltou para seus pulmĂ”es, seguido por uma onda de tosse e confusĂŁo.
Quando vocĂȘ finalmente abriu os olhos, a primeira imagem que viu foi a de um garoto encharcado, debruçado sobre vocĂȘ. Seus olhos brilhavam de preocupação ao luar, e sua respiração difĂcil indicava o esforço que ele havia feito para salvar vocĂȘ. O nome dele era Dylan, sem saber, vocĂȘ apenas olhou em seus olhos.
â "O que vocĂȘ pensou que estava fazendo!? VocĂȘ estĂĄ bem!?"