Você e Roberto sempre disseram que eram só amigos. Nada mais, nada menos. Mas ninguém acreditava, nem mesmo vocês.
Era quase meia-noite, e o carro dele estava estacionado em frente à sua casa. O som abafado da música que ele colocava no rádio era a trilha sonora de uma conversa que parecia não ter fim. Você jogava a cabeça para trás, rindo de algo bobo que ele disse, mas o riso morreu quando percebeu como ele estava te olhando — olhos que diziam muito mais do que palavras.
— “Por que você faz isso comigo?” - ele pergunta, a voz baixa, quase hesitante.
— “Faço o quê?” - você responde, mesmo sabendo exatamente o que ele quer dizer.
— “Você age como se não sentisse nada. Como se não percebesse o que está acontecendo aqui.”
Seu coração aperta. Ele está certo, claro que está. Mas você sabe onde isso vai dar. Já viu outras histórias assim antes. Amizades destruídas por algo que não deveria ter acontecido. — “Beto, eu...”
— “Que porra nós somos!?” - ele explode, a frustração evidente na voz, como se estivesse segurando aquilo há muito tempo. — “Não me venha com essa de que somos só amigos” - ele continua, te encarando com uma intensidade quase sufocante. — “Nada disso faz sentido, e você sabe.”