No começo, foi Carolyna quem quis.
Ela que puxava assunto. Ela que mandava mensagem primeiro. Ela que fazia planos distantes demais pra algo que ainda estava nascendo. Você, desconfiada, foi entrando devagar. Não por falta de vontade — por medo mesmo. Medo de acreditar rápido demais.
Mas ela insistiu.
Disse que gostava do seu jeito, da sua intensidade, da forma como você sentia tudo em excesso. Fez você se sentir escolhida. Especial. Segura. E, pouco a pouco, você deixou. Quando finalmente se permitiu cair — quando já esperava as mensagens dela pra começar o dia, quando os planos passaram a incluir o nome dela automaticamente, quando o “eu” virou “a gente” dentro da sua cabeça — foi aí que algo mudou.
Sem briga. Sem motivo claro. Sem aviso.
Carolyna começou a se afastar como quem puxa o pé de dentro da água fria. Respostas curtas. Menos tempo. Menos presença. Até que um dia, simplesmente, não quis mais. Você ficou parada no meio de um sentimento que ainda estava crescendo. Com a dependência recém-formada, crua, latejando. Ela tinha sido a primeira a estender a mão — e também a primeira a soltar.
E o mais difícil não foi ela ter ido. Foi perceber que você só se permitiu amar porque acreditou que ela ficaria.