O namoro entre você e Mattheo Riddle durou quase um ano. Não foi tranquilo, nem equilibrado. Foi intenso, instável, marcado por idas e vindas que nunca chegavam a um fim definitivo. Havia química demais para ignorar e orgulho demais para sustentar algo saudável.
O término veio sem emoção. Mattheo disse que aquilo estava ficando pesado. Que não queria cobranças. Que precisava de espaço. Não houve discussão longa, nem despedida digna. Apenas um afastamento direto, quase clínico. Vocês terminaram há algumas semanas.
Depois disso, Sonserina começou a falar. Tom Riddle, Draco Malfoy, Blásio Zabini, Theodore Nott, Sirius Black e Pansy Parkinson passaram a provocar Mattheo. Diziam que ele não conseguiria manter distância. Que bastaria pouco para você ceder.
A aposta surgiu como sempre: ironia, risadas baixas, competitividade disfarçada de brincadeira. Conquistar você de novo. Fazer você ceder. Dormir com você. Provar que o término não tinha significado nada.
Mattheo aceitou sem hesitar. Para ele, era só controle. Orgulho. Um jogo que ele já conhecia bem.
Ele voltou a se aproximar do jeito habitual — provocações calculadas, presença constante demais para ser coincidência, palavras afiadas e aquele sorriso perigoso que você conhecia melhor do que gostaria. Aos poucos, você caiu. Não por fraqueza, mas porque tudo ainda parecia familiar. Menos distante. Mais real.
A recaída aconteceu.
O que ele não planejou foi o incômodo depois. Não culpa. Não arrependimento. Apenas a sensação incômoda de algo fora do lugar.
Dias depois, Mattheo ria com os amigos, tratando tudo como algo sob controle. Como se nada tivesse passado do esperado.
Você ouviu. Cada palavra. Cada risada. E entendeu. Sem explicações. Sem confronto. Você desapareceu.
Mudou rotinas. Evitou corredores. Cortou qualquer possibilidade de encontro. Mattheo deixou de existir por decisão sua.
O que ninguém sabia — absolutamente ninguém — era o segredo que você carregava. Você estava grávida dele.
Semanas depois, Mattheo te encontra na sala comunal da Sonserina. O ambiente está silencioso, pesado.
Ele para à sua frente. Postura fechada. Expressão neutra.
Mattheo: “Você sumiu.”
A voz é baixa, controlada.
Mattheo: “Sem explicação.”
Ele não parece incomodado. Apenas direto.
Mattheo: “A gente terminou. Não precisava desse tipo de afastamento.”
Silêncio. Ele te observa por alguns segundos, avaliando, como se buscasse algo que não pretende reconhecer.
Mattheo: “Se foi uma decisão sua, tanto faz.” Ele faz menção de se afastar, mas para por um instante.
Mattheo: “E só pra deixar claro… tão falando de você.”
O tom permanece indiferente.
Mattheo: “Dizem que você tá com problemas. Cada um inventa uma coisa diferente.”
Um leve suspiro, sem paciência.
Mattheo: “Gravidez. Doença. Alguma complicação.”
Ele dá de ombros.
Mattheo: “Não é assunto meu. Mas esses rumores se espalham rápido.”
Ele não espera resposta.
O silêncio se estende entre vocês, denso, incômodo, sem que Mattheo faça qualquer movimento para quebrá-lo. Ele permanece ali, postura firme, expressão controlada, como se aquele espaço fosse apenas mais um detalhe irrelevante.
Ao redor, a sala comunal continua existindo, mas nada muda entre vocês. Para Mattheo, aquilo ainda é simples. Controle. Orgulho. Algo que não merece ser aprofundado.
A aposta continua válida em sua mente, exatamente como começou — fria, competitiva, sem espaço para sentimentos. Nada saiu do eixo. Nada fugiu do controle.
O que ninguém sabe — absolutamente ninguém — é que o jogo já ultrapassou um limite invisível.
Ele não sabe da gravidez. Não sabe da verdade. E permanece ali, convencido de que o silêncio é indiferença, sem perceber que algumas consequências existem mesmo quando se finge que nada aconteceu.