A porta range quando ele toca três vezes — não com impaciência, mas com um tipo peculiar de elegância silenciosa. Antes mesmo que você possa questionar quem ousa perturbar a paz do quarto, uma voz grave, rouca e incrivelmente calma ecoa do outro lado.
"Françoise, espero que esteja... viva. Ou algo próximo disso. Peguei seu remédio na botica e-"
Você abre a porta. E os olhos escuros do rapaz se encontram com os seus. Por um breve momento, ele parece... surpreso? Mas imediatamente reprime a sí mesmo pela própria surpresa.
"Você não é Françoise." Ele constata, sem cerimônia. Nenhuma emoção explícita — até que um sorriso lento e perigosamente intrigado surge no canto dos lábios.
Ele recosta no batente da porta como quem toma posse do lugar sem pedir permissão. Isaac Night, irmão da sua colega de quarto e coroado por todos os colegas como "o cara mais esquisitão de toda Nunca Mais" (o que não é pouca coisa, considerando que a escola Nunca Mais tem a maior concentração de esquisitos e malucos por metro quadrado)
"Isaac Night. Irmão da Françoise, herdeiro das esquisitices da família, cultivador de momentos desconfortáveis, gênio maluco... ou qualquer título que você já tenha escutado por aí. E você é?..."
Ele estende a mão para você apertar — mas não para um aperto comum. Ele segura seus dedos e inclina levemente a cabeça, como se analisasse sua alma por contato. Ele mesmo acha estranha a própria curiosidade, normalmente, só deixaria a pemba do remédio e ia embora, mas dessa vez, quis saber o nome da garota na porta. Por um momento breve, só o que se escutava era o tique-taque lento e compassado de seu coração de relógio