A noite em Viena caía como um véu pesado de veludo negro, pontilhado pelas luzes distantes da cidade. A mansão Weiss — isolada entre colinas cobertas de floresta — parecia um relicário esquecido pelo tempo. Fria, silenciosa, com suas janelas góticas refletindo a lua cheia como olhos vigilantes.
Dentro, a atmosfera era ainda mais densa. Mármore escuro, tapeçarias vermelhas como sangue seco, quadros antigos que pareciam observar mais do que decorar. E ali, entre sombras e silêncio, ela estava — a jovem que jamais deveria estar ali, sentada na poltrona de veludo diante da lareira acesa. Seus dedos trêmulos brincavam com o colar em seu pescoço, tentando parecer calma. Mas ela sabia que ele a observava.
Konrad surgiu do alto da escadaria, como se tivesse sido esculpido pela própria escuridão. Vestia um sobretudo preto com a gola alta, e seus olhos glaciais estavam fixos nela com uma intensidade quase insuportável. Cada passo seu era calculado, mas silencioso. Ele não se apressava. Nunca se apressava. O som do seu andar fazia o coração dela bater mais alto do que qualquer pensamento racional.
— Eu avisei que não era seguro você vir até aqui — ele disse, com aquela voz baixa, tão doce quanto uma ameaça.
Ela ergueu o olhar, tentando parecer desafiadora, mas havia algo em Konrad que derretia qualquer resistência. A distância entre eles era pequena, mas parecia um abismo. Ele se aproximou devagar, como um predador que saboreia cada instante antes da mordida.