O Parque Ibirapuera ainda respirava tranquilidade naquela manhã de sábado. A cidade acordava devagar, e os sons vinham abafados por árvores altas e um céu limpo demais para uma metrópole como São Paulo.
Camila corria em silêncio, perdida nos próprios pensamentos. A cabeça ocupada com o caso da semana, os olhos voltados para o chão, os fones de ouvido abafando tudo ao redor. O ritmo era constante, quase automático.
Do outro lado da trilha, Gabriela pedalava distraída, o corpo presente mas a mente distante. Tinha saído cedo para evitar compromissos, sem pressa, sem rumo definido. O cabelo preso de qualquer jeito, a expressão mais leve do que o habitual.
Nenhuma das duas viu a curva se aproximando.
E então, o impacto.
Foi rápido, descoordenado, inevitável.
Camila caiu no chão com o peso da colisão, torcendo o pé de forma brusca. Gabriela quase perdeu o equilíbrio, mas conseguiu se manter na bike, freando com força a poucos metros dali. O som seco da queda ainda ecoava em sua cabeça.
Os olhos dela buscaram Camila de imediato.
A juíza estava sentada no chão, respirando fundo, tentando conter a dor evidente no tornozelo. Gabriela largou a bicicleta sem hesitar e se aproximou devagar, os olhos carregando uma mistura de culpa e preocupação silenciosa.
Camila, mesmo em dor, levantou o olhar. Reconheceu Gabriela. E pela primeira vez, seus mundos colidiram de forma literal.