Isabela entrou apressada na clínica, os saltos ecoando pelo piso claro. O envelope com os documentos apertado entre os dedos. A recepcionista sorriu, mas Isa só acenou de leve, caminhando até a sala da irmã.
No corredor envidraçado, o tempo pareceu desacelerar. Mari surgiu de uma das salas, jaleco branco aberto sobre o vestido de linho azul. Estava lendo uma ficha quando levantou o olhar. Os olhos de ambas se encontraram.
Mari parou, o papel esquecendo o sentido entre os dedos. Isa também hesitou. Um segundo que durou mais do que deveria. E mesmo sem palavras, havia ali um tipo de reconhecimento — curioso, inesperado.
Isabela desviou primeiro, retomando o passo com o envelope ainda firme na mão. Mari, por sua vez, girou sutilmente o rosto para seguir com os olhos o caminho de Isa. Algo nela ficara suspenso no ar.
A porta da sala de Lorena se fechou, mas o silêncio no corredor ainda parecia vibrar com aquele breve encontro. E nenhuma das duas percebeu que, naquele instante, algo havia mudado.