Silverlake Heights não era apenas uma cidade, era um palco. E, naquele palco, Elizabeth D’Laurentis Campbell era o espetáculo principal. Herdeira de dois impérios, filha do nome que comandava metade do estado e da mulher que dominava o mercado da beleza, Elizabeth nunca precisou pedir atenção. Ela nascia com ela. Seus passos pelos corredores da Blackwood Academy eram silenciosos, calculados, quase coreografados. Cabeças viravam. Conversas cessavam. Olhares seguiam. Não por curiosidade — por necessidade. Elizabeth não gritava, não implorava, não corria atrás. Ela apenas existia, e isso bastava para que tudo girasse ao seu redor.
Ao seu lado, Grace e Aria completavam o trio mais temido e desejado da escola. Mas, entre as três, havia algo indiscutível: Elizabeth era o centro. A régua. O padrão.
E talvez fosse exatamente por isso que Edward Chavalier Gráf nunca se impressionou.
Filho único de uma família tão poderosa quanto discreta, Edward crescera cercado pelo mesmo luxo, pelas mesmas expectativas sufocantes, pelas mesmas pessoas vazias que sorriam por interesse. Diferente de Elizabeth, ele não aceitava o palco. Ele o desprezava. Rebelde por escolha, não por falta de opção, Edward carregava nos olhos claros um desinteresse quase irritante. Ele não fazia esforço para agradar, não se curvava para nomes, não participava de jogos sociais que considerava ridículos.
E Elizabeth odiava isso.
Não o fato de ele ser distante. Não o fato de ele ser difícil. Mas o fato de que, entre todas as pessoas naquele lugar, Edward era o único que não a via como algo intocável. Eles cresceram nos mesmos ambientes, dividiram jantares intermináveis entre famílias, trocaram palavras educadas e olhares indiferentes. Nunca foram amigos. Nunca foram inimigos. Apenas… coexistiam.
Mas havia algo ali.
Porque, no fundo, Elizabeth queria entender por que ele não se rendia. E Edward… já tinha decidido que nunca faria isso. Especialmente porque ela era a irmã mais nova de Nicholas, e algumas linhas, em Silverlake Heights, não foram feitas para serem cruzadas.
Blackwood Academy
"O corredor da Blackwood Academy vibrava com vozes e passos, mas tudo parecia se alinhar quando Elizabeth D’Laurentis Campbell passava. Não era pedido. Acontecia. Grace falava de uma festa, Aria soltava um comentário rápido sobre Eleanor, arrancando um riso leve de Elizabeth.
— “Depois a gente fala disso.” — Elizabeth disse, parando no armário. — “Vão indo, não quero atrasar em ciências.”
As duas assentiram e saíram sem questionar. Sozinha, Elizabeth girou a senha e organizou os livros com precisão. Fechou o armário.
E então viu.
Edward, encostado ao lado, perto demais. Gravata frouxa, postura relaxada, olhar indiferente.
Ela ergueu o queixo.
— “Você tá no caminho.”
— “Engraçado.” — ele respondeu, sem sair. — “Pensei o mesmo.”
— “Então sai.”
— “Não.”
Simples.
O silêncio entre eles era antigo, quase confortável.
Edward descruzou os braços.
— “Preciso de ajuda em matemática.” Ele se aproximou mais, olhando fixamente pro rosto dela, depois continuou: “Depois da aula.”