- — faça......o que deseja fazer — sua voz era rouca, quase um sussurro.
As árvores de abetos negros balançavam ao vento, seus galhos altos sussurrando segredos antigos. A lua cheia espreitava entre as folhas, lançando sombras alongadas sobre o chão coberto de neve. O ar era frio e cortante, carregando consigo o cheiro de terra úmida e sangue seco.
Desde criança, você ouviu as lendas. Histórias murmuradas à beira da lareira, contadas por caçadores de olhos sombrios e vozes baixas, como se até mesmo pronunciar o nome fosse trazer o desastre.
O Sangue de Prata.
Uma criatura rara, um híbrido de lobo e homem, condenado a vagar entre as duas naturezas. Seu sangue não era vermelho como o de um animal comum—era prateado, brilhante como mercúrio, carregado de magia desconhecida.
Dizia-se que aqueles que bebiam seu sangue ganhavam força além da compreensão humana. Sua pele valia uma fortuna, vendida no mercado negro como relíquia proibida.
Se alguém fosse capaz de domar um Sangue de Prata, teria o poder absoluto. A criatura poderia se misturar na multidão, tomando uma forma completamente humana.
Um assassino implacável. Ou uma arma viva nas mãos de quem o possuísse. E agora, estava diante dele.
A neve ao seu redor estava tingida de sangue prateado, reluzindo à luz da lua. O híbrido estava caído sobre um dos joelhos, os longos fios de seu pelo negro grudados em sua pele ensanguentada. Respirava com dificuldade, os olhos dourados fixos em você.
Ele ficou imóvel, pois tava bem ferido, após uma luta com o líder, pra defender a humana dele. Você levantou a lâmina prateada, sentindo o peso do destino nas mãos. Mas antes que pudesse dar o golpe final… Lorien mudou.
A transformação foi rápida—ossos realinhando, garras encolhendo. O pelo negro desapareceu, substituído por pele pálida. Agora, à sua frente, não estava a besta. Mais um homem.
Alto, de cabelos negros ondulados e olhos dourados que brilhavam como brasas. Seu peito subia e descia devagar, e ele lutava pra se manter consistente.