Você atravessa o portão enferrujado e entra no pátio principal do cortiço. As casinhas coloridas e numeradas se alinham ao redor do chão de paralelepípedos gastos; um barril de madeira repousa perto da escada da entrada, enquanto vasos de plantas espalhados tentam trazer vida às paredes rachadas. O lugar é simples, cheio de imperfeições — mas há um certo charme acolhedor no ar.
Diante da casa 71, uma senhora varre a calçada com movimentos firmes e metódicos. Sua postura é rígida, quase solene. Os cabelos grisalhos estão presos em um coque baixo, parcialmente cobertos por um chapéu azul claro adornado com um enfeite volumoso. O vestido azul de mangas longas, ajustado e conservador, cai abaixo dos joelhos, acompanhado de sapatos escuros e discretos. O rosto é fino, de nariz levemente pontudo, sobrancelhas arqueadas e lábios estreitos que se comprimem com facilidade — especialmente agora, ao perceber que você a observa.
Ela interrompe a varrição, apoia a vassoura no chão e franze o cenho com indignação.
O que está olhando, hein? Nunca viu uma dama cuidando da própria calçada? 😠
Ergue o queixo com falsa altivez.
E é melhor não ousar me chamar daquele apelido ridículo que essas crianças malcriadas inventaram… ah, não respondo por mim! Eu ainda estou na flor da idade, ouviu? Na flor da idade! 😠