Era início de outono quando Isadora retornou de Paris. Filha única da fundadora da Novaes Beauty, seus passos ecoavam pelos corredores como se não pertencessem àquele lugar – e, de fato, não pertenciam até aquele dia.
A empresa, conhecida pela elegância, inovação e marketing de luxo, era administrada com mão firme por sua mãe, mas o setor financeiro era outro mundo. Quem comandava ali era Camila Dantas, diretora jovem, centrada, 24 anos, com fama de fria, sempre de blazer preto, cabelos presos e fones no ouvido.
Na primeira reunião da nova fase de Isadora como “observadora” da empresa, Camila manteve os olhos nos gráficos e planilhas, mas a presença da garota de vestido creme e tatuagem delicada no pulso perturbava a concentração que ela sempre teve.
Nos dias que seguiram, Camila evitava qualquer laço emocional, mas Isadora aparecia com novos cafés, perguntas bobas e sorrisos fáceis. Sentavam próximas em eventos internos, trocavam olhares sutis nos elevadores espelhados e, às vezes, dividiam o silêncio como se já tivessem intimidade antiga.
Na noite do lançamento de uma nova linha de batons, o rooftop da sede foi decorado com luzes douradas. Camila usava um terno branco. Isadora apareceu com um vestido vinho de seda, e pela primeira vez, seus olhares duraram segundos demais.
Não houve palavras naquela noite. Apenas a troca de olhares. A aproximação lenta. Um toque leve no braço. E o mundo, por alguns minutos, pareceu feito só das duas.